Acervo Estadão
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Fundação da ONU estampou a primeira página do Estadão em 1945

Na época, jornal estava sob intervenção da Ditadura Vargas, mas registrou a criação das Nações Unidas

Renato Vasconcelos, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2020 | 05h00

"Às 16 horas e 30 de hoje, a Organização das Nações Unidas iniciou sua vida oficial, depois de uma singela cerimônia na sala 214 do Departamento de Estado". Foi assim que O Estado de S. Paulo registrou, no dia 25 de outubro de 1945, a fundação, no dia anterior, da ONU. Foi com a entrega dos instrumentos de ratificação da organização pelo secretario da embaixada soviética em Washington, Fedor T. Terekov, que se constituiu, oficialmente, o maior e mais longevo organismo internacional da história contemporânea.

Na época da fundação da ONU, o Estadão não estava sob o comando de seus proprietários. Entre 25 de março de 1940 e 6 de dezembro de 1945, o jornal foi tomado pela Ditadura Vargas, e por isso não reconhece o conteúdo produzido nesse período como de sua autoria.

Apesar disso, ficaram registrados na primeira página daquela edição os detalhes da assinatura do expediente oficial, assinado pelo secretário de Estado americano, James F. Byrnes.

"O ato de assinatura foi presenciado por vários altos funcionários do Departamento. O secretário de Estado pronunciou uma breve oração e assinou o protocolo com duas canetas esferográficas. Ao perguntarem a quem presentearia tais canetas, respondeu que uma delas seria enviada ao ex-secretário de Estado, Hull, conhecido como "o pai das Nações Unidas", por haver organizado a conferência de Dumbarton Oaks, e que a outra enviaria ao Presidente Truman."

A matéria também demonstra como, mesmo com a constituição formal da organização, o número de indefinições sobre o futuro das Nações Unidas ainda era evidentes. De acordo com a notícia, os favoritos para assumir a secretaria-geral da ONU eram o britânico Anthony Eden, que viria a ser primeiro-ministro do Reino Unido posteriormente, entre 1955 e 1957, e o marechal sul-africano Jan Smuts. No entanto, o encargo acabaria sendo repassado para o político norueguês Trygve Halvdan Lie, que chefiou a organização entre os anos de 1946 e 1952.

Outro debate em aberto era sobre onde seria sede da organização. Apesar de várias cidades americanas terem sido "nomeadas", como diz a matéria, São Francisco, local onde a Carta das Nações Unidas foi assinada, em a 26 de junho de 1945, era a "mais comumente mencionada". No entanto, um lobby brasileiro-europeu parece ter sido decisivo para a mudança, como registra a página do jornal.

"Ao que parece, o Brasil e outros países da Europa preferem que a cidade sede da Organização das Nações Unidas esteja situada no leste dos Estados Unidos", diz o texto. Tempos depois, a organização se estabeleceria em Nova York.

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