Fundação Viera de Mello homenageará mediadores de conflito

Pouco depois do atentado a bomba quematou em 2003 o então enviado da Organização das Nações Unidasao Iraque, Sérgio Viera de Mello, a viúva e seus filhosdecidiram que iriam continuar com o trabalho dele em nome dasvítimas de conflitos armados. Em uma entrevista, Annie Viera de Mello falou sobre ogrande idealismo deste brasileiro notável, que trabalhou empontos de conflito de várias regiões do globo, do Camboja aoTimor Leste, durante sua carreira de 30 anos na ONU. Seu marido, apontado por alguns como o possível futurosecretário-geral da entidade, estava entre as 22 pessoas mortasquando um caminhão carregado com explosivos atingiu o CanalHotel, o complexo da ONU em Bagdá. O ataque ocorreu poucodepois da invasão do Iraque liderada pelos EUA. Annie e seus filhos, Laurent e Adrien, estavam à beira dolago Genebra, em um dia de verão, quando ouviram a notíciasobre o ataque, até hoje o mais violento contra o órgãointernacional desde sua criação, em 1945. "Depois que as crianças e eu recebemos tantas homenagens evimos as demonstrações de empatia, acreditamos que ele aindatinha um papel a desempenhar", afirmou Annie à Reuters, na sedeeuropéia dos órgãos de ajuda humanitária da ONU, em Genebra,cidade que concentra várias entidades do tipo. "Para nós, isso era o mais óbvio a fazer porque, quandoalguém está de luto e sofrendo, essa pessoa deseja se apegaràquilo que perdeu", afirmou Annie, uma elegante francesa. Com amigos e familiares, ela criou uma fundação com sede naSuíça para promover o diálogo em busca da paz. A fundação levao nome do marido (www.sergiovdmfoundation.org). Seu patrono, o ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan, faráa aula inaugural memorial chamada Sérgio Viera de Mello emGenebra, na segunda-feira, dois dias depois daquele que seria oaniversário de 60 anos do brasileiro. A fundação concederá bolsas para jovens cujas famílias sãovítimas da guerra, bem como um prêmio anual em reconhecimentoao trabalho dos que se empenham para mediar conflitos. "Esse seria, por exemplo, um médico ou um professor que seexpõe a perigos a fim de encorajar o diálogo", afirmou Annie,que está requisitando dinheiro de agências da ONU, de governosde vários países e de pessoas físicas para pagar pelos prêmios. "Esperamos que o nome do meu marido possa darreconhecimento e apoio a essa pessoa, incentivando-a aprosseguir em sua luta", afirmou. O brasileiro ficou conhecido por seus esforços parapromover a compreensão em situações complicadas. Entre outrasatividades, ele manteve negociações com o líder palestinoYasser Arafat quando trabalhou para as Forças Interinas da ONUno Líbano, no começo dos anos 1980. "Ele era um homem de ação, de negociações, que gostava deconhecer pessoas e tentar entender os conflitos", disse Annie. "Ele gostava de juntar as pessoas para encontrar umasolução, por isso a fundação é baseada na idéia de diálogoentre comunidades em conflito."

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