Fundador da McAfee é detido na Guatemala

Pioneiro americano dos softwares antivírus é procurado pela polícia de Belize, onde ele mora; autoridades investigam a morte de um vizinho

CIDADE DO MÉXICO, / NYT, O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2012 | 23h48

O pioneiro americano de softwares antivírus John McAfee foi detido ontem na Cidade da Guatemala após ter cruzado a fronteira com Belize, onde ele mora e é procurado pela polícia. As autoridades querem ouvir McAfee no inquérito de um processo que investiga o assassinato de um vizinho do empresário. Após ser detido foi levado a um hospital com hipertensão e recebeu alta horas depois.

O ministro do Interior, Maurício Lopez Bonilla, disse à agência Associated Press que McAfee foi detido em um hotel da capital e levado a um centro de detenção para imigrantes que entraram ilegalmente no país.

McAfee estava foragido havia quase um mês desde que seu vizinho, Gregory Faull, na ilha belizenha de Ambergris Caye, foi encontrado morto em sua casa em 11 de novembro. A polícia local citou McAfee como "uma pessoa de interesse" na sua investigação, mas o empresário tinha sumido. No entanto, ele não desapareceu da internet. Manteve uma série contínua de comentários em seu blog e no Twitter, acusando as autoridades belizenhas de persegui-lo.

Na terça-feira, McAfee ressurgiu na Guatemala, trajando terno, com os cabelos loiros tingidos de castanho-escuro.

Acompanhado de sua namorada belizenha, Samantha Venagas, e de seu advogado guatemalteco, Telesforo Guerra, McAfee disse que tentaria obter asilo político na Guatemala. Guerra, um ex-promotor-geral guatemalteco, disse a jornalistas numa conturbada entrevista coletiva na antessala da Suprema Corte que seu cliente estava sendo perseguido, pois decidira deixar de pagar US$ 2 milhões exigidos pelas autoridades belizenhas.

McAfee não está associado a nenhuma companhia de software desde 1994, quando a vendeu a que levava seu nome e começou a se dedicar a outros assuntos. Ele dirigiu um retiro de ioga e depois construiu um complexo no Novo México para se dedicar a seu hobby de voar em veículos ultraleves.

Ele se mudou para Belize há cerca de quatro anos, comprando propriedades no continente e em Ambergris Caye. Foi ali que ele se desentendeu com Faull, que se queixava dos cães que McAfee deixava soltos em sua propriedade.

Em 9 de novembro, vários cães foram encontrados mortos. Todos os animais tinham sido envenenados.

Durante sua permanência em Belize, McAfee havia aparentemente se interessado pelo desenvolvimento da droga sintética MDPV. Ele fez inúmeras postagens sobre seus experimentos em um site. O empresário confessou ter sido usuário de "vários tipos" de drogas até 1983. "Eu tomava drogas constantemente, 24 horas por dia. Eu era o pior viciado em drogas do mundo", afirmou à agência Reuters. Depois disso, ainda segundo a própria versão, McAfee começou a participar de grupos de apoio e conseguiu deixar de usar as substâncias.

Ele chamou a atenção das autoridades belizenhas, que revistaram suas propriedades em abril. McAfee passou uma noite na cadeia, mas as autoridades não encontraram evidências de que ele estivesse produzindo metanfetaminas e retiraram as acusações.

Mas, depois disso, McAfee pareceu ficar cada vez mais convencido de que estava sendo perseguido pelo governo belizenho. As autoridades negaram que o estivessem perseguindo.

Guerra disse a repórteres guatemaltecos, na quarta-feira, que não havia mandado de prisão contra McAfee e, como seu cliente não era um fugitivo, estava pleiteando a libertação de seu cliente e sua volta ao hotel onde ficaria sob vigilância.

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