Fundador do Tupac Amaru recebe pena de 32 anos no Peru

Víctor Polay Campos, líder e fundador do Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA), foi condenado a 32 anos de prisão por um tribunal peruano, que o considerou culpado de crimes ligados à prática terrorista. Também foram sentenciados os principais dirigentes do grupo armado, que nos últimos 15 meses responderam a um processo civil em cumprimento de uma ordem do Tribunal Constitucional. Polay, que está detido desde 1992, sairá da prisão em 3 de janeiro de 2023, segundo informou a Corte Penal que ditou a sentença na Base Naval do Callao. Outro dos líderes do MRTA, Miguel Rincón Rincón, também recebeu uma sentença de 32 anos de prisão, e a dirigente Lucero Cumpa foi condenada a 28 anos de detenção. Os dirigentes Péter Cárdenas e Alberto Galvez Olaechea receberam penas de 25 e 23 anos de prisão, respectivamente. Outros seis membros do grupo também foram condenados a penas entre 15 e 20 anos. Apenas dois dirigentes foram absolvidos. O Ministério Público tinha solicitado a Polay prisão perpétua, e 25 anos de reclusão aos dirigentes processados junto com ele. Abaixo-assinado A situação judicial de Polay motivou na semana passada um abaixo-assinado de políticos de esquerda, intelectuais e artistas, que pediram uma "sentença justa" para o fundador do MRTA. O documento foi assinado por dezenas de personalidades públicas, entre as quais se destacaram os candidatos à Presidência Javier Diez Canseco, do Partido Socialista; Alberto Moreno, do Movimento Nova Esquerda; e Ulises Humala, do partido Avança País. Os que assinaram o documento afirmaram que Polay foi submetido a condições inadequadas na prisão da Base Naval do Callao, e consideraram sua reincorporação à vida política do país "fundamental para o desenvolvimento da democracia no Peru". O chefe histórico do MRTA foi condenado em 1993 à prisão perpétua em um julgamento sumário dirigido por um tribunal militar, que depois foi cancelado pelo Tribunal Constitucional. Segundo a Comissão da Verdade e Reconciliação, o MRTA foi responsável por 1,5% dos episódios de violência política no Peru entre 1980 e 2000, e que deixaram mais de 69 mil vítimas. Polay afirmou durante o julgamento que deseja retornar à atividade democrática e, inclusive, deixou aberta a possibilidade de apresentar sua candidatura à Presidência. O Procurador Antiterrorista do Peru, Guillermo Cabala, ressaltou, no entanto, que o dirigente quis "deixar a impressão de que é um perseguido político e que não cometeu atos terroristas". Polay já apresentou apelação contra a sentença.

Agencia Estado,

22 Março 2006 | 03h13

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