Fundador do WikiLeaks diz temer acusações de conspiração dos EUA

Assange volta a dizer que é alvo de 'investigações secretas e com motivações políticas'

Associated Press

17 de dezembro de 2010 | 11h52

Assange fala com repórteres em Ellingham Hall segurando um exemplar do 'Guardian'.

 

LONDRES - O fundador do site WikiLeaks, o australiano Julian Assange, disse nesta sexta-feira, 17, estar receoso de que as autoridades americanas estejam prontas para indiciá-lo por conta do vazamento de mais de 250 mil documentos diplomáticos sigilosos dos EUA.

 

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Abrigado na mansão de um colega jornalista em uma cidade a 200 quilômetros de Londres, Assange disse ser alvo "do que parece ser uma grande investigação secreta". O WikiLeaks, disse ele, também seria objeto de investigação.

 

Assange não deu detalhes sobre o suposto processo, mas já contratou um escritório de advocacia não nomeado dos EUA para representá-lo. Também falou que, agora que está solto, o site deve vazar mais rapidamente novos documentos.

 

O australiano, porém, afirmou que seu site é "flexível" e pode resistir a ataques. Ele voltou a dizer que as acusações de crimes sexuais da promotoria da Suécia são parte de uma campanha difamatória, embora as autoridades suecas neguem motivações políticas por trás do processo.

 

Altos funcionários do Departamento de Justiça dos EUA estão buscando provas para determinar se Assange encorajou ou ajudou o soldado Bradley Manning a extrair do sistema de computadores do governo material militar classificado e arquivos do Departamento de Estado. Com isso, as autoridades americanas pretendem processar o fundador do WikiLeaks por conspiração.

 

Esclarecimentos

 

Em uma entrevista concedida nesta sexta ao canal ABC, Assange disse que ele nunca havia ouvido o nome de Manning antes de a imprensa publicar notícias apresentando-o como o principal suspeito de vazar os documentos para o WikiLeaks.

 

Assange, porém, indicou que o militar americano tem relações com o site ao chamá-lo de "um jovem que está de algum modo envolvido em nossas atividades". "Podemos ver que ele é a única pessoa, a nossa única fonte militar acusada", disse.

 

O australiano ainda disse que vai se concentrar em provar que é inocente e limpar seu nome das acusações da promotoria sueca, mas admitiu que a prioridade no momento é a continuação de seu trabalho, o que deve ocorrer de forma mais acelerada agora que ele foi libertado.

 

Assange foi libertado na quinta-feira após passar mais de uma semana sob custódia em Londres, onde havia se entregado às autoridades para colaborar com as investigações sobre os supostos crimes sexuais. Ele foi colocado em liberdade mediante pagamento de fiança. Ele enfrenta agora um pedido de extradição das autoridades suecas.

 

Assange é considerado o responsável pelo vazamento dos mais de 250 mil documentos americanos, que começou no dia 28 de novembro e causou constrangimento às autoridades americanas por ter revelado segredos da política externa dos EUA. Washington classificou a ação como irresponsável e como uma ameaça à segurança nacional.

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