Fundamentalistas do Paquistão farão greve, diz embaixador

Fundamentalistas islâmicos do Paquistão, minoria religiosa no país, prometem realizar amanhã greve geral em todo o território além de uma série de protestos contra os Estados Unidos, o presidente paquistanês, general Pervez Musharraf, e em prol de Osama Bin Laden, dissidente saudita e principal suspeito de articular a série de ataques terroristas contra os norte-americanos na semana passada.A informação é do embaixador brasileiro no Paquistão, Abelardo da Costa Arantes, que concedeu entrevista por telefone à Agência Estado."As greves e manifestações em favor do Taleban marcadas para amanhã causam apreensão por causa do pronunciamento de ontem de Musharraf, que afirmou que se aliará aos Estados Unidos no caso de um ataque ao Afeganistão", informou Arantes, acrescentando o temor em relação ao início de uma onda de violência no país. Ao mesmo tempo, ressalvou o embaixador, o Paquistão respira hoje um pouco mais aliviado após as declarações do general Musharraf. "O presidente paquistanês deixou claro, ao se aliar aos Estados Unidos, que não há possibilidade de o País entrar em choque armado contra os aliados", avaliou.RetiradaMesmo com os ânimos mais serenados, Arantes afirmou que algumas embaixadas no Paquistão decidiram enviar parte de seus funcionários de volta a seus países de origem. "Essas missões estrangeiras temem algum tipo de retaliação por parte dos afegãos e, por isso, decidiram que parte de seus funcionários, de menor importância dentro do funcionamento das embaixadas, devem retornar aos seus países", comentou.A medida não será tomada, no entanto, na embaixada do Brasil. "Somos em três brasileiros na embaixada, que é pequena. Por isso, não considero a possibilidade de sugerir ao Ministério de Relações Exteriores a evacuação nesse momento. Isso só acontecerá se os conflitos se agravarem", garantiu. De acordo com Arantes, cerca de 30 brasileiros vivem hoje no Paquistão e, conforme levantamento da embaixada, nenhum deles pretende deixar o país, por considerarem pouco provável um ataque militar a partir do Afeganistão. "A imprensa paquistanesa informa hoje que fontes do Taleban confirmaram não ter condições de desfechar ataques contra o Paquistão", relatou.Na visão do embaixador, além do ataque norte-americano, o Taleban teme nesse momento pela expansão política e territorial de seus opositores, guerrilheiros instalados no norte do país e que detém 5% do território afegão."Nas atuais circunstâncias, o Taleban sabe que será muito difícil resistir à expansão dos oposicionistas do norte e ainda mais aos ataques dos aliados dos Estados Unidos. De fato, não há nem sequer poder bélico suficiente para qualquer mobilização contra o Paquistão", defendeu.

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