Fundo da ONU começa a funcionar, mas não tem dinheiro

O Fundo Global para o combate à Aids, à Malária e à Tuberculose começou a funcionar oficialmente nesta terça-feira em Genebra. Mas até agora, o fundo, que foi apoiado no ano passado pelo G-8 (grupo dos oito países mais ricos do mundo), está com seus cofres praticamente vazios.O fundo foi criado a partir de uma proposta do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, que sugeriu que a entidade tivesse a missão de financiar programas para o combate a três doenças, que, sozinhas, matam cerca de 15.000 pessoas por dia na África.De acordo com cálculos da ONU, seriam necessários pelos menos US$ 7 bilhões apenas para o tratamento da aids no mundo. Até o fim da tarde desta terça, o fundo contava com apenas US$ 1,7 milhão em caixa. Países como Estados Unidos, França e Reino Unido anunciaram que doariam cerca de US 1,9 bilhão ao fundo. Mesmo assim, as iniciativas por enquanto não passam de promessas.O ministro da Saúde da França, Bernard Kouchner, reconhece que as verbas são insuficientes. "Mas temos que lembrar que há poucos anos nem sequer poderíamos imaginar a criação de um fundo como esse", ressalta o francês, que foi o fundador da organização Médicos Sem Fronteiras.Mesmo sem dinheiro, o fundo anunciou que os países pobres podem enviar seus projetos para serem avaliados até o fim de abril. Segundo as regras da entidade, os projetos serão escolhidos para receber a ajuda financeira do fundo.Uma das grandes batalhas durante a criação da entidade foi sobre o controle das verbas. O Brasil, juntamente com outros países em desenvolvimento, rejeitavam a possibilidade de que os doadores determinassem o destino dos recursos do fundo, como queriam os países desenvolvidos.Paulo Roberto Teixeira, responsável pelo programa de combate à aids no Brasil, conta que Brasília chegou a ameaçar se retirar do projeto caso a proposta prevalescesse.Diante da pressão dos países em desenvolvimento, ficou estabelecido que a decisão sobre o destino do dinheiro seria tomada por sete países ricos e sete países pobres, inclusive o Brasil, que representa a América Latina. Duas organizações não-governamentais e duas empresas também terão o direito de votar.Mesmo com o direito de voto, o governo brasileiro já declarou que não vai candidatar-se a receber os recursos do fundo. Na avaliação de Teixeira, o Brasil deve ter outra função. "Precisamos oferecer nossa ajuda para estabelecer programas de combate à aids em outros países."Teixeira revelou ainda que o Brasil e a empresa farmacêutica Abbott devem concluir as negociações para a compra do Kaletra ainda esta semana. O remédio faz parte do tratamento de aids que seria distribuído gratuitamente pelo governo aos doentes.Caso não haja acordo sobre o preço cobrado pela empresa estrangeira, porém, o governo não descarta a possibilidade de quebrar a patente do produto e pedir que a Farmanguinhos fabrique o remédio.

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