Funerais e preces se convertem em protestos antigoverno no Bahrein

Dezenas de milhares de pessoas participaram dos enterros de manifestantes mortos por forças de segurança.

BBC Brasil, BBC

18 de fevereiro de 2011 | 09h03

Enterros e preces reuniram milhares de pessoas no país

Os funerais de vítimas de confrontos com a polícia se transformaram, nesta sexta-feira, na maior manifestação até o momento contra o governo de Bahrein, no golfo Pérsico.

Dezenas de milhares de pessoas compareceram aos enterros, muitos carregando cartazes e cantando slogans de oposição ao governo do xeque Hamad bin Isa Al-Khalifa.

Pouco depois, as preces de sexta-feira se converteram em mais uma oportunidade de protesto. Em uma mesquita, xiitas gritavam "vitória ao Islã" e morte à família real bareinita.

A correspondente da BBC Caroline Hawley diz que, por causa das mortes - que foram ao menos três, ocorridas durante protestos pró-democracia na quinta-feira -, as tensões cresceram na capital, Manama.

Demandas prévias por reformas constitucionais agora evoluíram para um pedido mais geral, pela remoção da dinastia sunita que governa o país há mais de 200 anos.

Um novo protesto deve ocorrer nesta sexta, mesmo depois de o governo ter proibido as manifestações públicas.

As forças de segurança não interferiram até o momento nesta sexta, mas há tanques posicionados em locais estratégicos de Manama. O ministro do Interior, Rashed bin Abdullah Al-Khalifa, disse que os soldados tomariam quaisquer medidas necessárias para preservar a segurança do país.

O Ocidente, por sua vez, instou o governo a ser cauteloso na repressão aos protestos e a promover reformas no pequeno reino, que tem população menor que 1 milhão de habitantes, mas possui valor estratégico: é importante aliado americano no Oriente Médio e abriga uma base da Quinta Frota Naval dos Estados Unidos.

Tensões

Desde sua independência da Grã-Bretanha, em 1971, o Bahrein tem registrado tensões entre a elite sunita e a maioria xiita, que se diz marginalizada e reprimida.

Agora, essas tensões ganharam força em meio à atual onda de levantes nos países árabes e muçulmanos, que já levaram à renúncia dos presidentes da Tunísia e do Egito.

O uso da força militar nos protestos recentes colocou a família real de Bahrein em rota direta de confronto com os xiitas, que compõem a maioria dos manifestantes, relata o correspondente da BBC no Oriente Médio Jon Leyne.

O funeral de duas vítimas - dois homens, de 20 e 50 anos - ocorreu em um bairro xiita de Manama. Os caixões foram envoltos em bandeiras do país e levados em cortejo pelas ruas do bairro.

A multidão presente gritava pedindo "justiça, liberdade e monarquia constitucional". Alguns disseram que estão dispostos a sacrificar suas vidas para derrubar o governo.

"Haverá violência, haverá confrontos", disse à BBC nesta sexta um manifestante que se identificou como Sayed. "Bahrein está passando por um túnel escuro."BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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