Funeral atrai 100 mil partidários

Ex-premiê é enterrada no mausoléu da família em meio a polêmica sobre o que teria causado sua morte

Islamabad, O Estadao de S.Paulo

29 de dezembro de 2007 | 00h00

Em clima de grande comoção, a ex-primeira-ministra do Paquistão Benazir Bhutto foi enterrada ontem no mausoléu de sua família, na cidade de Garhi Khuda Baksh, ao sul do país. O corpo da ex-premiê foi recebido em aclamação por cerca de 100 mil admiradores. O caixão branco estava envolvido em uma bandeira com as cores de seu partido, o PPP (Partido do Povo do Paquistão). Por causa da multidão, o marido de Benazir, Asif Ali Zardari, seu filho, Bilawal, e suas duas filhas, Bakhtawar e Aseefa, tiveram dificuldade para acompanhar o cortejo fúnebre. Durante a passagem do caixão, simpatizantes gritavam, choravam e batiam no peito em desespero. A maior revolta era contra o presidente Pervez Musharraf, acusado de não dar proteção à líder da oposição no país.Hamid Nawaz Khan, ministro interino do Interior, tentou ontem tirar do governo qualquer responsabilidade pela morte de Benazir. Ele rejeitou as acusações de que a ex-premiê teria sido atingida por um tiro saído de um carro da polícia e afirmou que as autoridades paquistanesas forneciam a Benazir equipamentos e guardas, que trabalhavam para ela em tempo integral.AUTÓPSIAAo contrário do que foi divulgado nas primeiras horas após o atentado, Benazir não foi atingida por tiros ou estilhaços de bomba. De acordo com informações do governo paquistanês, ela morreu em razão do choque de sua cabeça contra a alavanca do teto solar do carro de onde ela acenava para a multidão. Aparentemente, Benazir teria se assustado com a explosão e tentado se proteger. A fratura do crânio, provocada por esse impacto, é que teria sido a causa da morte. De acordo com os médicos que examinaram Benazir, não havia balas ou fragmentos de bomba em seu corpo. Membros do PPP não aceitam a versão oficial e afirmam que a ex-premiê foi de fato assassinada.Após o atentado, ela ainda foi encaminhada para um hospital, onde já chegou sem nenhuma atividade cerebral. Em vão, os médicos ainda tentaram reanimá-la por mais 40 minutos.Fontes do governo do Paquistão informaram ontem que o ex-premiê Nawaz Sharif é um dos políticos mais ameaçados pelo terrorismo islâmico e um possível alvo de novos atentados. Líder do partido oposicionista Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz (PML-N), Sharif voltou ontem a pedir a renúncia do presidente Musharraf e disse que seu partido boicotará as eleições gerais de 8 de janeiro. Segundo ele, se o governo insistir em manter o calendário eleitoral, "o Paquistão vai se destroçar". "Se as eleições forem mantidas, entraremos em um caminho de autodestruição", afirmou Sharif.REUTERS E AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.