Mehdi Ghasemi/ISNA/AP
Mehdi Ghasemi/ISNA/AP

Funeral de cientista transforma-se em protesto no Irã

Mostafa Ahmadi Roshan foi assassinado e autoridades iranianas suspeitam de Israel

Agência Estado

13 de janeiro de 2012 | 14h21

TEERÃ - Milhares de pessoas gritaram "morte a Israel!" e "morte à América!" nesta sexta-feira, 13, durante o funeral do cientista nuclear Mostafa Ahmadi Roshan. Autoridades iranianas afirmam que os governos desses países foram responsáveis pela bomba que matou o cientista e que a ação é parte de uma operação secreta para interromper o programa nuclear do Irã.

 

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O assassinato de Roshan deu início a pedidos no Irã para ações retaliatórias contra os Estados Unidos e Israel. Um site iraniano independente disse nesta sexta-feira que o Irã está preparando uma contraofensiva contra o Ocidente.

 

Roshan, especialista em química e diretor da instalação de enriquecimento de urânio de Natanz, na região central do Irã, foi morto à luz do dia quando dois homens numa motocicleta colocaram uma bomba com um ímã em seu carro na quarta-feira, em Teerã. O assassinato apresenta uma forte semelhança com mortes anteriores de cientistas que trabalhavam no programa nuclear iraniano.

 

A televisão estatal mostrou milhares de pessoas carregando o caixão de Roshan pelo centro de Teerã antes de ser levado para um cemitério, ao norte, para ser enterrado. Durante o funeral, as pessoas gritavam "morte aos terroristas!".

 

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, que tem a palavra final sobre questões de Estado, disse que a morte de Roshan foi um "assassinato covarde" e acusou os Estados Unidos e Israel de estarem por trás do ataque. Na quinta-feira, ele prometeu que os homens que realizaram a ação e os que a ordenaram serão punidos.

 

A secretária de Estado americana Hillary Clinton negou a participação dos Estados Unidos no caso e o governo condenou o ataque. Em entrevista transmitida nesta sexta-feira pela CNN, o presidente de Israel, Shimon Peres, disse que não está ciente do envolvimento israelense no ataque que matou o cientista iraniano. Perguntado pelo serviço em espanhol da emissora se Israel estava envolvido no ataque à bomba de quarta-feira, ele respondeu "não até onde eu saiba".

 

Citando uma fonte oficial não identificada, o site independente irannuc.ir disse que o Irã está preparando uma contraofensiva contra o Ocidente em retaliação ao ataque e deu a entender que a retaliação poderia incluir assassinatos no exterior.

 

"A comunidade de inteligência iraniana está em posição de realizar ações imediatas para retaliar assassinatos realizados pelos serviços de inteligência ocidentais", disse a fonte, segundo o site. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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