Funeral de Thatcher é realizado com pompa em Londres

Margaret Thatcher, a ex-primeira-ministra britânica que ficou conhecida como a "dama de ferro" foi sepultada nesta quarta-feira com um nível de pompa que também atraiu protestos na capital do país, refletindo sua condição de figura política polarizadora, mesmo tantos anos depois de ter deixado o poder.

Agência Estado

17 de abril de 2013 | 09h41

Em seu discurso para as 2.300 pessoas presentes na catedral de St. Paulo, o bispo de Londres, Richard Chartres, fez referência aos fortes sentimentos que a ex-premiê ainda evoca 23 anos depois de ter deixado o cargo.

"Uma grande quantidade de opiniões conflitantes se concentra na senhora Thatcher, que se tornou uma figura simbólica, até mesmo um ''ismo''", declarou, lembrando que "hoje, os restos mortais da verdadeira Margaret Hilda Thatcher estão aqui, em seu funeral". O clérigo lembrou também que "há um lugar importante para debater suas políticas e seu legado...mas aqui e agora não é nem a hora nem o local."

Alguns espectadores que estavam ao longo da rota por onde passou o cortejo aplaudiram, enquanto outros vaiaram. Alguns realizaram um protesto silencioso, a virar de costas no momento da passagem do caixão de Thatcher. Um homem segurava uma faixa na qual estava escrito "descanse na vergonha", em vez do tradicional "descanse em paz". Também ocorreram discussões entre partidários e oponentes da ex-primeira-ministra.

A mulher apelidada de "dama de ferro" transformou o Reino Unido durante seus 11 anos no cargo, entre 1979 a 1990, privatizando empresas estatais, desregulando a economia e causando revoltas, cujos impactos ainda podem ser sentidos. Ela morreu no dia 8 de abril, aos 87 anos.

Thatcher recebeu um funeral com honras militares - mas não um funeral oficialmente de Estado, que exige aprovação do Parlamento - embora os procedimentos tenham se equiparado ao nível de pompa e honra prestados à princesa Diana em 1997 e à rainha-mãe em 2002.

O fato irritou alguns britânicos que consideram que seu legado foi um país dividido social e economicamente. "Como qualquer outra pessoa, ela merece um funeral decente, mas não à custa dos contribuintes", disse Patricia Welsh, de 69 anos.

Por outro lado, dezenas de pessoas acamparam durante a noite nas proximidades da catedral do século 17 na expectativa de ver o caixão da ex-primeira-ministra e outras centenas chegaram ao local horas antes do funeral.

"Eu vim para celebrar a maior heroína da nossa era moderna", disse Anthony Boutall, de 25 anos. "Ela pegou uma nação de joelhos e deu nova vida a ela."

O professor aposentado Henry Page estava do lado de fora da catedral em protesto contra os supostos US$ 15 milhões gastos no funeral. Ele segurava uma faixa na qual se lia "Mais de 10 milhões de libras de nosso dinheiro para o funeral de um Tory (conservador)!".

O primeiro-ministro David Cameron afirmou que a cerimônia foi "uma homenagem a uma grande primeira-ministra respeitada em todo o mundo". As informações são da Associated Press.

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