Furacão atinge sul da Jamaica, após deixar rastro de destruição

Dean chega à ilha com ventos de 230 km/h e intensa chuva, depois de matar 7 em outros países

Reuters, Efe e AFP, Kingston, O Estadao de S.Paulo

20 de agosto de 2008 | 00h00

O furacão Dean chegou ontem à noite ao sul da Jamaica com potentes ventos de 230 quilômetros por hora - que destelharam casas e derrubaram árvores - e fortes chuvas em toda a ilha, após deixar um rastro de destruição pelo Caribe e pelo menos 7 mortos. Segundo o Centro Nacional de Furacões (CNF), com sede em Miami, Dean estava na categoria 4 da escala Saffir-Simpson, de 5 níveis. Mas há o risco de ele se transformar em um devastador furacão de categoria 5, com ventos superiores a 250 quilômetros por hora. Segundo um relatório divulgado pelo CNF ontem - às 21 horas de Brasília -, o furacão se movia a 32 quilômetros por hora e se encontrava a 115 quilômetros a sudoeste da capital jamaicana, Kingston. Hoje, Dean passará pelas Ilhas Cayman. O furacão deixou um morto na Ilha de Santa Lúcia, dois na Ilha de Dominica, um na República Dominicana e três no sul do Haiti, por onde passou na noite de sábado e madrugada de ontem destruindo dezenas de casas e causando danos consideráveis. O governo da Jamaica criou mil abrigos em escolas, igrejas e estádios fechados e pediu às pessoas nas áreas de risco, principalmente no sul, que deixassem suas casas. Mas apenas 47 abrigos haviam sido ocupados, apesar dos fortes ventos e da chuva, que pode provocar inundações e deslizamentos na montanhosa ilha. "Há muita criminalidade em Kingston. Não vou deixar minha casa", disse Paul Lyn, um morador de Port Royal, distrito do leste da capital jamaicana. A polícia foi enviada aos distritos comerciais para impedir saques e o toque de recolher foi imposto até a tarde de hoje. Segundo o Centro Nacional de Furacões, o Dean mantinha sua trajetória oeste-noroeste em direção à península mexicana de Yucatán, onde deve chegar amanhã. O furacão desceu levemente para o sul, diminuindo o risco de impacto sobre o Texas e aumentando sobre a região central do México. Mas o governo americano aconselhou aos moradores do sul do Texas que se preparassem para uma possível retirada. As autoridades colocaram 1.300 ônibus, 130 aviões e centenas de helicópteros de prontidão para uma retirada na região de Browsville, onde vivem 400 mil pessoas. A Península de Yucatán, leste do México, se preparava para o pior. Milhares de turistas deixaram o balneário de Cancún, após as autoridades elevarem o nível de alerta para laranja (perigo iminente). A estatal Petróleos Mexicanos (Pemex) desalojou mais de 140 plataformas marítimas no Golfo do México. Permanece um alerta de tempestade tropical em partes do leste de Cuba. Mais de 400 mil pessoas foram retiradas das áreas de risco em Cuba, diante da ameaça de fortes chuvas e inundações. O CNF advertiu que Dean pode transformar-se em um furacão de categoria 5, a máxima na escala de intensidade Saffir-Simpon, enquanto se desloca pelas águas quentes do Mar do Caribe. O último furacão que atingiu o Caribe com essa intensidade foi o Wilma, na temporada de furacões de 2005, quando houve a formação de 28 tempestades e 15 furacões, incluindo o Katrina, que arrasou New Orleans.

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