Furacão causa inundações e deixa 750 mil sem energia no sul dos EUA

Tragédia evitada. Sete anos após a devastação causada pelo Katrina, região de New Orleans resiste à passagem do Isaac sem vítimas ou feridos graves, apesar de sofrer com ventos de 120 quilômetros por hora e ter um prejuízo estimado em US$ 2,5 bilhões

DENISE CHRISPIM MARIN, ENVIADA ESPECIAL A TAMPA, EUA, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2012 | 03h00

O furacão Isaac atingiu ontem a região de New Orleans, no Estado de Louisiana, causando inundações e destruição. Cerca de 750 mil pessoas ficaram sem luz. A ausência de vítimas fatais e de feridos graves foi atribuída à ordem de retirada emitida pelas autoridades locais e à reconstrução, nos últimos sete anos, dos diques de proteção da cidade, que custaram US$ 14,5 bilhões.

O impacto do furacão foi considerado bem menos desastroso do que o do Katrina, que varreu a Louisiana há sete anos e deixou mais de 1,8 mil mortos. Analistas estimam que o Isaac tenha deixado US$ 2,5 bilhões de prejuízo - em 2005, o Katrina causou perdas de até US$ 100 bilhões.

O furacão, porém, foi suficiente para desviar a atenção da imprensa, até então concentrada na cobertura da convenção do Partido Republicano, que oficializou a candidatura do ex-governador de Massachusetts Mitt Romney à Casa Branca.

Na noite de terça-feira, quando ainda se observava a movimentação do furacão em direção a New Orleans, a mulher de Romney, Ann, abriu seu discurso na convenção pedindo orações para que nenhuma vida ou propriedade fosse perdida.

O furacão chegou a New Orleans às 2h15 (4h15 pelo horário de Brasília) com ventos de mais de 120 km/h e fortes chuvas. Telhados e árvores foram arrancados pela tempestade e a rede de transmissão de energia foi danificada. A companhia local de energia elétrica convocou 10 mil funcionários de outras localidades para recuperar as linhas o mais rápido possível.

Ontem, 3 mil moradores de Plaquemines Parish, a 80 quilômetros de New Orleans, receberam nova ordem para saírem de suas casas. Na região, a mais afetada pela passagem do Isaac, as autoridades tiveram de abrir brechas nos diques de contenção para evitar o transbordamento.

A Casa Branca apressou-se em informar que os diques danificados não faziam parte daqueles que foram reconstruídos pela Companhia de Engenharia do Exército americano.

Parte dos mil membros da Guarda Nacional deslocados para New Orleans e a polícia local buscavam ontem moradores isolados pela inundação nessa área - cerca de 100 pessoas haviam ignorado as ordens de retirada imediata.

"Nunca vimos algo assim antes, nem mesmo com o Katrina. Aquelas áreas não tinham sido inundadas pelo Katrina. Se o Isaac foi um furacão de categoria 1, imagino quando vier um pior", afirmou o líder comunitário Billy Nungesser.

O Isaac atingiu ainda os Estados de Alabama, Geórgia, Flórida, Arkansas e Carolina do Sul. O Serviço Nacional de Meteorologia previa ontem que o furacão perderia sua força à medida que seguisse para o norte do país.

A preparação para a sua chegada envolveu a montagem de albergues para as pessoas desabrigadas e o envio de suprimentos pela Agência Federal de Administração de Emergências (Fema, na sigla em inglês). A Cruz Vermelha e o Exército da Salvação também trabalharam para acolher os desabrigados.

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