Furacão deve afetar 65 milhões nos EUA

Em Nova York, aeroportos e trens serão paralisados antes da chegada do Irene

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2011 | 00h00

A aproximação do furação Irene da Costa Leste dos EUA levou os governos dos Estados de Nova York, Carolina do Norte e New Jersey a retirar moradores, turistas e pacientes de clínicas geriátricas e hospitais das áreas que serão mais afetadas pelos ventos e inundações. Aeroportos, trens e metrôs serão paralisados horas antes da chegada do furacão. O Irene deverá afetar 65 milhões de pessoas em 8 Estados americanos.

Ontem, na medida em que o furacão se aproximava da Carolina do Norte, o primeiro ponto no território americano a ser afetado, a população correu aos supermercados para abastecer-se de água, alimentos e geradores de energia. Boa parte das residências nas zonas costeiras teve suas janelas revestidas por placas de madeira. Ao menos 6.100 voos serão cancelados nos próximos 3 dias.

Em Nova York, pacientes de cinco hospitais foram transferidos, em uma complicada operação logística. O prefeito da cidade, Michael Bloomberg, alertou insistentemente para as "consequências sérias" do furacão e obrigou a retirada da população do leste do bairro de Queens, um dos primeiros a serem atingidos, provavelmente na tarde de hoje.

O governador de Maryland, Martin O"Malley, advertiu para o caráter "mortífero" da tempestade e pediu à população que se prevenisse contra a falta de eletricidade e as inevitáveis inundações.

Em Washington, a inauguração do memorial ao reverendo Martin Luther King, líder do movimento pelos direitos civis assassinado em 1968, foi suspensa. A concentração de milhares de pessoas estava programada para às 11 horas de amanhã, justamente quando o furacão deverá se aproximar da capital americana.

Preparação. Escaldado pela trágica passagem do Katrina, que causou a morte de 1.800 pessoas e danos de US$ 80 bilhões em 2005, o governo americano montou uma espécie de operação de guerra para prevenir um desastre na chegada do Irene.

Em Atlanta, no Estado da Georgia, a Agência Federal de Administração de Emergências (Fema, na sigla em inglês), estocou 2 milhões de litros de água, 1,3 milhão de refeições, 16 mil casacos e 56 mil cobertores que serão distribuídos às vítimas. Mais 390 mil refeições e 380 mil litros de água estão armazenados em Fort Bragg. A Cruz Vermelha dos EUA também foi mobilizada.

O presidente Barack Obama deixou na noite de ontem a ilha de Martha"s Vinneyard, onde passaria mais dois dias de férias com a família, e retornou a Washington.

"Não quero pressionar demais: se você está no provável caminho desse furacão, você deve tomar precauções agora. Não espere. Não adie. Nós todos esperamos pelo melhor, mas devemos estar preparados para o pior", alertou Obama. "Temos de encarar essa tempestade com seriedade. Ouçam as autoridades estaduais e municipais e, se receberem ordem de retirada, por favor, cumpram."

Furação histórico. Segundo Obama, o Irene é um "furacão histórico". Ontem, ele apresentava ventos de 160 quilômetros por hora. Embora o Centro Nacional de Furacão tenha reduzido o Irene para a categoria 2, deixou em aberto a possibilidade de uma nova piora.

De acordo com a agência, o furacão deve elevar o nível das águas do litoral e dos rios em 3,3 metros na Carolina do Norte e 1,8 metro em New Jersey.

Ontem, as companhias aéreas American Airlines e TAM cancelaram todos os voos que partiriam de São Paulo e Rio com destino a Nova York previstos para hoje e amanhã. As outras empresas com voos diretos - Delta, Continental Airlines e United Airlines - não tinham informações sobre possíveis cancelamentos até a noite de ontem.

A Infraero recomenda que todos os passageiros com viagem marcada para os EUA nos próximos dias entrem em contato com as empresas. / COM JOÃO PAULO CARVALHO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.