NOAA / RAMMB / AFP
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Furacão Florence perde velocidade, mas temor aumenta

Para especialistas, menor intensidade dos ventos significa que tormenta deve castigar por mais tempo a mesma área

Kendra Pierre-Louis / THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

13 Setembro 2018 | 20h40

Com ventos de 220 km/h, o furacão Florence não é propriamente fraco, mas preocupa os especialistas que preveem que ele se desloque mais lentamente quando atingir a terra, como ocorreu com o furacão Harvey ao passar por Houston, ano passado. E é isso que o torna perigoso. 

Segundo pesquisadores, ciclones tropicais vêm se deslocando mais devagar desde meados do século 20. Estudo do jornal Nature mostrou que, entre 1949 e 2016, a velocidade de transição (a rapidez de deslocamento da tempestade) diminuiu em média 10%, o que significa que os furacões estão permanecendo por mais tempo em áreas por onde passam.

Furacões persistentes são uma ameaça, como viram os texanos quando o Harvey provocou inundações devastadoras que causaram bilhões de dólares de prejuízo. Em algumas áreas, ele despejou mais de 750 mm de água em dois dias e cerca de 1.250 mm em quatro dias. Um relatório do condado de Harris, que inclui Houston, mostrou que as chuvas superaram as de qualquer outra inundação da história dos EUA desde 1899. 

“Números tão altos se devem ao lento deslocamento da tormenta”, disse Deanna Hence, professora da Universidade de Illinois, que participou do estudo publicado no Nature. “Numa tempestade tropical, uma grande quantidade de chuva cai sobre o mesmo lugar por um longo período.”

Embora não se saiba exatamente o que está causando a lentidão, evidências sugerem que as mudanças climáticas estejam influindo. “Furacões são levados passivamente pelos ventos condutores”, disse Kossin. “É quase como uma rolha sendo levada pela correnteza.” 

Os ventos condutores tiram sua força das diferenças de temperatura entre os trópicos e os polos. Mas, com as mudanças climáticas, as diferenças de temperatura estão diminuindo, o que enfraquece esses ventos. A menor velocidade faz com que os furacões se desloquem mais lentamente. 

“É o que deve acontecer com o Florence. Ele vai chegar com estardalhaço e avançar poucos quilômetros, para depois se deslocar erraticamente por vários dias, porque os ventos condutores vão perder força”, disse meteorologista Jeff Master,. “Mas, como boa parte de sua circulação foi sobre a água, ele sugou muita umidade do oceano e vai despejá-la sobre a terra em forma de pesadas chuvas.” / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ 

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