Furacão força 500 mil a saírem de suas casas e mobiliza candidatos nos EUA

Fator Sandy. Meteorologistas preveem que vendavais, inundações e nevascas castigarão a Costa Leste americana a partir de hoje; fenômeno muda planos de Romney e de Obama, que em 2008 se beneficiou de erros republicanos ao lidar com o Katrina, em 2005

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2012 | 03h08

O encontro do furacão Sandy com uma ampla frente fria no Nordeste dos EUA forçou ontem a retirada de cerca de 500 mil pessoas de suas casas e criou um novo fato político a nove dias das eleições de 6 de novembro. O presidente americano, Barack Obama, foi colocado por Sandy em um inesperado teste de liderança que pode decidir sua reeleição.

As campanhas mudaram seus planos para os próximos dias em função do furacão. Obama antecipou para a noite de ontem sua ida para Flórida. Na manhã de hoje, discursará em Youngstown, Ohio, e retornará a Washington para monitorar a chegada do Sandy. Seu programa inicial para amanhã - comícios em Virgínia e no Colorado - foi cancelado. O republicano Mitt Romney suspendeu três comícios em Virgínia, ontem, e foi para Ohio.

A própria passagem do Sandy pode atrapalhar o fluxo de votos antecipados, já em curso em 30 Estados. Desde sábado, a campanha democrata apela para seus eleitores da Costa Leste votarem antes da chegada da tempestade. Sandy afetará eleitores de quatro Estados onde a eleição presidencial continua indefinida - New Hampshire, Carolina do Norte, Virgínia e Ohio. "Obviamente, nós queremos acesso irrestrito às urnas porque achamos que, quanto mais pessoas venham votar antes, melhor nós nos sairemos", afirmou David Axelrod, estrategista da campanha de Obama, em entrevista à rede CNN.

Para Obama, a imagem como líder será tão avaliada pela oposição e pelo eleitorado quanto sua performance como candidato. "O presidente é o comandante-chefe. O povo americano olha para ele, e tenho certeza que ele se comportará e desempenhará seu papel de líder de maneira apropriada. Imagino que isso pode ajudá-lo um pouquinho", afirmou o senador John McCain, republicano derrotado por Obama na eleição de 2008, na rede de TV CBS.

Obama visitou ontem a Agência Federal de Gerenciamento de Emergências e prometeu uma "grande e rápida resposta" ao impacto da passagem do furacão, que atingirá uma região com cerca de 60 milhões de habitantes.

Na região do Caribe, Sandy provocou 66 mortes. Ao alcançar o continente, associou-se a uma corrente vinda do Ártico e transformou-se em uma super tempestade híbrida apelidada de "Frankeinstorm". Com ventos de 120 km/h, deverá provocar inundações e apagões em oito Estados e nevascas em Virgínia Ocidental, Kentucky e Ohio.

Ontem, o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, ordenou a retirada de 375 mil habitantes da região Sul da cidade, abriu 72 abrigos para acolhê-los e suspendeu as aulas de hoje. O governo do Estado de Nova York mandou paralisar as linhas de trens e de metrô a partir das 19 horas (21h, no horário de Brasília) de ontem. Os ônibus circulariam apenas duas horas a mais.

Em Delaware, 50 mil pessoas deixaram suas casas. O governo de Nova Jersey também ordenou a retirada de pessoas de regiões e o fechamento de cassinos de Atlantic City. Mais de 700 voos foram cancelados ontem e outros 2.500 serão suspensos hoje.

Em 2005, o presidente George W. Bush demorou a responder à passagem do furacão Katrina em Nova Orleans. As 1.833 mortes e o prejuízo de US$ 81 bilhões foram lembrados insistentemente pela campanha democrata em 2008. / COLABOROU GUSTAVO CHACRA

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