Furacão Irene deixa 1 milhão sem luz e mata 9

Nova York prepara-se para receber tempestade que já passou por Carolina do Norte e Virgínia

Gustavo Chacra, de O Estado de S. Paulo,

27 de agosto de 2011 | 22h02

Com os moradores comprando lanternas, velas, pão e água, Nova York prepara-se para o pior furacão das últimas sete décadas a atingir a cidade, menos de uma semana depois de um inesperado terremoto. A caminho de Manhattan, o Irene matou, entre mortes diretas e relacionadas, ao menos 9 pessoas e deixou mais de um milhão sem energia, segundo a rede de TV CNN.

 

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A tempestade atingiu com força a Virgínia e a Carolina do Norte. Os ventos, que na sexta-feira alcançavam 160 quilômetros por hora, reduziram sua velocidade para 140 quilômetros por hora - o que fez a tempestade passar da categoria 2 para a 1, na escala Saffir-Simpson, que vai até 5.

 

Das mortes deste sábado, quatro foram causadas por quedas de árvores, três foram acidentes de carro provocados pela chuva e uma foi um surfista na costa da Flórida. A morte da nona vítima está indiretamente relacionada ao furacão: um morador da Carolina do Norte sofreu um enfarte enquanto cobria sua casa com madeira compensada para protegê-la da tempestade.

 

O Rio Neuse, que corta o estado, subiu cerca de 7 metros e um número indeterminado de residências foi inundado. Equipes de socorro efetuaram buscas na região, mas, novamente, não havia informações sobre vítimas. Maryland e Delaware deveriam receber a tempestade na noite de ontem.

 

Ao longo do fim de semana, o Irene seguirá até o extremo norte da Costa Leste americana - afetando a vida de 20% da população dos EUA, em cidades como Washington, Filadélfia, Nova York e Boston.

 

Preparação

 

A maior parte das 370 mil pessoas que receberam ordem de abandonar Nova York já havia deixado suas casas. Dezenas de milhares viajaram na sexta-feira para outras cidades no interior, distantes do chamado "olho" da tempestade. O transporte público nova-iorquino - pela primeira vez na história - deixou de funcionar. Os aeroportos seriam fechados às 23h (horário de Brasília).

 

Desde sexta-feira à noite, os moradores de Nova York organizavam a vida para um fim de semana dentro de casa ou em abrigos de emergência. A ideia de quase todos era esperar o furacão passar, isolados, acompanhando as notícias por celulares, computadores e TVs, enquanto os sinais telefônico, da internet, da TV à cabo e a eletricidade estivessem em operação. A prefeitura informou que o risco de interrupção era elevado.

 

As filas nos supermercados e farmácias eram gigantescas na manhã deste sábado. As inúmeras cafeterias Starbucks de Manhattan estavam fechadas, assim como uma série de cafés e restaurantes da região do Lincoln Center, uma das mais movimentadas de Nova York.

 

A loja da Apple na Quinta Avenida, que funciona 24 horas todos os dias, não abriu, assim como grande parte do comércio da região. No entanto, a FAO Schwarz, de brinquedos, funcionava normalmente. Era difícil encontrar algum lugar aberto mesmo antes do meio-dia, quando não haveria mais transporte público. A partir desse horário, o recomendado era não sair de casa.

 

No Central Park, de manhã, alguns moradores ainda aproveitavam os últimos minutos sem chuva para fazer exercícios, passear com os cachorros e levar as crianças para brincar. Havia até mesmo um time treinando futebol americano. Mas, com o começo de uma chuva bem fraca, grande parte começou a sair.

As academias nova-iorquinas, como a Reebok, também encerraram suas atividades no início da manhã e registraram um movimento maior do que o normal para o horário. Surfistas ainda aproveitavam as ondas em praias de Nova York - haverá uma etapa do mundial de surfe na semana que vem.

 

Os edifícios maiores em Manhattan distribuíram avisos com todas as medidas necessárias para os moradores. Grande parte das pessoas que vivem em bairros com mais risco de serem atingidos por inundações deixou suas casas e foi para as residências de amigos em áreas mais seguras. Andaimes e tapumes foram retirados das ruas.

 

As áreas mais afetadas seriam as praias nos bairros do Queens e do Brooklyn, ao redor do East River. Manhattan e regiões aterradas e mais baixas, que incluem o sofisticado Battery Park, localizado próximo ao Marco Zero, e a região de Wall Street também estavam entre os lugares que poderiam ser mais afetados.

 

Rota de fuga

 

Mãe de dois bebês gêmeos, a brasileira Gisela Gueiros-Piper decidiu deixar com a família o apartamento no bairro de Williamsburg, no Brooklyn. "Com medo das árvores que poderiam cair em cima do nosso carro, que fica parado na rua, e pelo fato de o nosso apartamento ter uma janela enorme, achamos melhor ir para a casa de amigos dos meus sogros que moram em New Canaan, em Connecticut", afirmou. Outra brasileira, Paula Homor, grávida de nove meses, tem previsão para dar a luz esta semana. Ela temia entrar em trabalho de parto durante a tempestade. "Uma amiga minha me emprestou o carro. Foi a única solução que encontramos", disse.

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