REUTERS/Alvin Baez
REUTERS/Alvin Baez

Furacão Irma deixa oito mortos no Caribe e devasta Barbuda e Saint Martin

Seis das vítimas morreram em Saint Martin, uma em São Bartolomeu e outra em Barbuda

O Estado de S.Paulo

06 Setembro 2017 | 16h44

SAN JUAN -  O furacão Irma, que atingiu a categoria 5, a máxima na escala Saffir-Simpson, deixou ontem ao menos oito mortos no Caribe – seis em Saint Martin, um em São Bartolomeu e outro em Barbuda. O fenômeno, o mais forte registrado nesta década, também causou danos materiais em sua passagem pelas Pequenas Antilhas e colocou em alerta o sul dos EUA. 

“Barbuda foi totalmente destruída, pelo menos 90% da ilha. Este é um desastre nacional”, disse  o primeiro-ministro de Antígua e Barbuda, Gaston Browne, por meio das redes sociais.

As autoridades de Saint Martin também disseram que 95% da parte francesa da ilha foi destruída, assim como o aeroporto, o terceiro com maior número de passageiros do Caribe. Na parte holandesa de San Martín os danos também eram "enormes", mas ainda "não era possível se ter uma ideia" da destruição, segundo o ministro holandês do Interior, Ronald Plasterk.

O presidente francês, Emmanuel Macron,  disse que cabe esperar um "balanço duro e cruel" na ilha franco-holandesa de Saint Martin e na francesa de São Bartolomeu. "É cedo demais para dar um balanço preciso", afirmou Macron após visitar a célula de crise, montada no Ministério do Interior. "Os danos materiais nas duas ilhas são consideráveis", acrescentou. Segundo Macron, um "plano de reconstrução será adotado o mais cedo possível" nas duas ilhas.

De acordo com o Centro Nacional de Furacões (CNH) dos Estados Unidos, Irma se desloca na direção oeste a uma velocidade de 26 km/h com ventos de até 295 km/h. Após devastar São Bartolomeu e Saint Martin, ele começou a se afastar de Porto Rico em direção à República Dominicana e ao Haiti, em uma rota que o levará à Flórida até o final de semana, segundo o último boletim do CNH.

Horas antes da chegada do Irma, o governador de Porto Rico, Ricardo Rossello, orientou os 3,4 milhões de habitantes do território americano a buscar refúgio em um dos 460 abrigos. Ele também ordenou à polícia e à Guarda Nacional que comecem a retirar pessoas de áreas sujeitas a inundações. Segundo o CNH, Porto Rico não via um furacão com a magnitude do Irma desde o São Felipe, em 1928, que matou 2.748 pessoas em Guadalupe, Porto Rico e Flórida. 

O fenômeno deve seguir para a Flórida no fim de semana, mas sua trajetória é incerta. A previsão é que o Irma se torne a segunda tempestade mais violenta a atingir os EUA este ano, após a passagem devastadora de Harvey pelo Texas. Pelo menos 70 pessoas morreram e os danos podem chegar a US$ 180 bilhões.

O presidente americano, Donald Trump, declarou estado de emergência em Porto Rico, na Flórida e nas Ilhas Virgens. A declaração acelera o envio de fundos governamentais para desastres. Trump também ordenou ao Departamento de Segurança Nacional (DHS) e à Agência Federal para Gestão de Emergências (Fema) que fiquem em alerta e coordenem todos os esforços de ajuda. Trump, que tem uma casa em Saint Martin, disse que acompanha atentamento o avanço do furacão, que deve chegar à Flórida no domingo.

O primeiro-ministro de Antígua e Barbuda disse que as duas ilhas foram devastadas por Irma, mas não falou em vítimas. Browne ressaltou que os danos estruturais são gravíssimos e pediu à população máximo cuidado.

As agências governamentais pediram à população que entre em contato com seus parentes para saber o estado da situação, ainda que a imprensa local indique que os sistemas elétricos foram severamente danificados e que os sinais de telefone estão literalmente fora do ar.

Meios de comunicação do pequeno território caribenho apontaram que há horas não há praticamente dado algum sobre o que está ocorrendo nestas duas pequenas ilhas das Pequenas Antilhas.

Outros meios lamentaram ter de interromper as transmissões por causa da gravidade dos danos sofridos. Na vizinha Barbados, as ondas ganharam vários metros e provocaram graves inundações.

O presidente do território de San Martin, Daniel Gibbs, apontou em declarações "nunca antes ter vivido algo parecido, até mesmo  as paredes de alguns edifícios chegaram a tremer".

Gibbs disse que as comunicações estão completamente interrompidas e as tentativas de entrar em contato com outros territórios próximos são infrutíferas.

Na Ilha de São Bartolomeu, a estação meteorológica local chegou a registrar ventos acima de 200 km/h e rajadas ainda superiores.

Meios locais de São Bartolomeu falam de uma situação apocalíptica, ainda que por enquanto não haja dados concretos. Os relatórios da imprensa local apontam que em São Bartolomeu as próprias equipes de resgate e bombeiros tiveram de interromper os seus trabalhos em razão das inundações, que chegaram a superar em alguns edifícios estatais até um metro.

Nas redes sociais, fotografias e imagens de vídeo mostravam o alcance dos danos nas ilhas, onde ocorreram cortes de eletricidade e de telecomunicações. Irma é o furacão mais intenso formado no Atlântico desde Allen, que em 1980 alcançou ventos máximos sustentados de 312 km/h. / EFE e AFP

 

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