Mark Wilson/Getty Images/AFP
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Furacão Matthew assola Flórida após deixar mais de 800 mortos no Caribe

De acordo com balanço atualizado das autoridades locais, ao menos 842 pessoas morreram no Haiti e outras 4 na República Dominicana; na Flórida, também foram registradas 4 mortes

Cláudia Trevisan CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S. Paulo

07 de outubro de 2016 | 09h46

O número de mortos pelo furacão Matthew no Haiti subiu nesta sexta-feira, 7, para 842 e poderá aumentar ainda mais à medida que as autoridades tenham acesso a locais isolados atingidos pela tempestade. Segundo o governo, 28 mil casas foram danificadas e 350 mil pessoas precisavam de ajuda humanitária. O governo teme, ainda, um surto de cólera, doença que já provocou a morte de sete pessoas nos últimos dias. 

O furacão perdeu força hoje, enquanto avançava pela Costa Leste dos EUA, mas continuava a representar uma ameaça para os moradores de Flórida, Geórgia e Carolina do Sul. Pelo menos 1 milhão de pessoas estavam sem eletricidade e muitas enfrentavam o risco de inundações. Até o fim da tarde, quatro pessoas haviam morrido na Flórida.

Cerca de 2 milhões de pessoas deixaram suas casas por orientação das autoridades americanas para se proteger do impacto do furacão, o mais forte a atingir o país em uma década. Mas o epicentro ficou a alguns quilômetros da costa da Flórida, o que reduziu o potencial de destruição do Matthew. 

No Haiti, o cenário era devastador. Milhares de pessoas continuavam em regiões isoladas, de difícil acesso para equipes de resgate. A contaminação da água por esgoto deu origem a casos de cólera, que podem se multiplicar nos próximos dias. As comunicações continuavam cortadas em parte do território e há o temor de que certas comunidades fiquem sem suprimentos básicos nos próximos dias.

“Minha casa não foi destruída, por isso estou recebendo pessoas, como se fosse um abrigo temporário”, relatou à Reuters a haitiana Bellony Amazan, moradora de Cavaillon. 

Cólera. Em razão da grande inundação e de seu impacto na infraestrutura de saneamento básico, é esperado um aumento dos casos de cólera depois do furacão Matthew e durante a temporada normal de chuvas que começa em 2017”, disse a Organização Panamericana de Saúde.

Nos meses seguintes ao terremoto de 2010, no qual 200 mil pessoas morreram, o Haiti registrou um surto de cólera que tirou a vida de pelo menos 7 mil pessoas. 

Integrantes da entidade Action Aid relataram que plantações foram destruídas e plantios de banana, feijão e milho foram quase totalmente dizimados. “As pessoas perderam as fontes de alimentos e vão enfrentar dificuldades reais, a menos que obtenham o apoio de que necessitam”, disse Mike Noyes, coordenador de resposta humanitária da Action Aid, de acordo com nota distribuída pela instituição. “Estamos em uma corrida contra o relógio para chegar às comunidades com a comida e a água limpa que eles precisam.”

Incerteza. O número de vítimas do Matthew no Haiti vem sido revisado a cada dia. O dado mais recente, de 842 mortos, é resultado de levantamento da agência Reuters, com base em informações fornecidas por autoridades regionais. O grau de devastação foi revelado quando a água da inundação retrocedeu no sul do Haiti, a área mais atingida pelo furacão. Na República Dominicana, Matthew matou quatro pessoas.

“Tantas pessoas morreram porque elas não acreditaram nas autoridades quando elas disseram que deveriam sair (da região)”, afirmou Jean Senozier Despreux ao New York Times. “Elas resistiram”, avaliou o haitiano, que mora em Les Cayes.

ONU. A missão de paz da ONU, chefiada pelo Brasil, participa das operações de resgate na ilha. Dos 2.370 soldados que a integram, pouco mais de 800 são brasileiros. Entre suas principais missões, estava a desobstrução de estradas. 

Depois de sobrevoar o sul do país, o almirante americano Cedric Pringle disse em entrevista à CNN que “a região foi devastada”. O almirante, que está na capital do Haiti, disse que mais 350 militares chegarão ao território amanhã para reforçar a ajuda humanitária às vítimas. Pringle afirmou que navios de Holanda, França e possivelmente da Grã-Bretanha também participarão do esforço.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta sexta-feira que o Matthew continuava a representar uma ameaça e fez um apelo aos americanos para que seguissem as orientações das autoridades.

“Muitos de vocês se lembrarão do furacão Sandy, que muitas pessoas inicialmente pensaram que não parecia tão ruim e de repente se tornou uma ampla tempestade que afetou a muitas pessoas de maneira severa”, afirmou Obama, em referência ao furacão que atingiu os Estados Unidos em 2012 e provocou morte de 285 pessoas.

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