AP Photo/Dieu Nalio Chery
AP Photo/Dieu Nalio Chery

Furacão Matthew ganha força e deixa rastro de mortes a caminho do sudeste dos EUA

Pelo menos 108 pessoas já morreram em razão das fortes tempestades, alagamentos e desmoronamentos causado pelo fenômeno natural, o mais forte em quase uma década no Caribe; governador da Flórida exorta 1,5 milhão de pessoas a deixarem sua casas

O Estado de S. Paulo

06 de outubro de 2016 | 14h25

FLÓRIDA, ESTADOS UNIDOS - O furacão Matthew, a tempestade mais forte em quase uma década no Caribe, avançava rumo ao sudeste dos Estados Unidos nesta quinta-feira, 6, depois de matar ao menos 108 em sua trajetória brutal para o norte. Enquanto passava pelo noroeste das Bahamas, o Matthew subiu da categoria 3 para a 4 no trajeto em direção à costa atlântica da Flórida, informou o Centro Nacional de Furacões dos EUA (NHC).

A tempestade pode atingir diretamente a Flórida ou passar logo ao lado do litoral do Estado na noite desta quinta-feira. O NHC ampliou a área de seu alerta de furacão mais para o norte, avançando pelo Estado americano da Geórgia, e mais de 12 milhões de habitantes dos EUA estão sujeitos a avisos e alertas de furacão, de acordo com o canal Weather Channel.

As estradas de Flórida, Geórgia e Carolinas do Norte e do Sul ficaram congestionadas e as lojas que vendem alimentos ficaram sem suprimentos à medida que a tempestade se aproximava, causando a elevação das águas e levando consigo chuvas pesadas e ventos que ganharam força de quarta para quinta-feira e chegaram a cerca de 205 km/h.

O Matthew estava 290 quilômetros a sudeste de West Palm Beach e a 40 quilômetros de Nassau, capital das Bahamas, às 12h desta quinta-feira (horário de Brasília), segundo o centro de furacões. 

Os danos podem ser "catastróficos" se o furacão se abater diretamente sobre a Flórida, alertou o governador Rick Scott, exortando cerca de 1,5 milhão de pessoas a obedecerem a ordens de retirada. "Se vocês estiverem relutantes em se retirar, só pensem em todas as pessoas que foram mortas", disse Scott em uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira. "O tempo está acabando. Está claro que ele ou vai atingir diretamente ou passar bem ao lado da costa, e teremos ventos com a força de um furacão".

A previsão é que as águas subam até 2,7 metros. "Não surfem", disse o governador. "Não vão à praia. Isso vai matar vocês".

Os quatro Estados americanos no caminho do furacão declararam estado de emergência, uma medida que permite que os governadores convoquem a Guarda Nacional. Ainda é cedo demais para prever em que lugar dos EUA é provável que o Matthew cause mais estragos, disse o NHC.

Os abrigos da Flórida, Geórgia e Carolina do Sul estão recebendo pessoas que tiveram que sair de suas casas. Equipes federais de emergência estão se coordenando com autoridades dos quatro Estados e armazenando suprimentos, afirmou o presidente dos EUA, Barack Obama.

Escolas e aeroportos da região ficaram fechados nesta quinta-feira e alguns hospitais foram desocupados, de acordo com a mídia local. Centenas de voos chegando e partindo das cidades de Miami, Fort Lauderdale e Orlando, na Flórida, foram cancelados, informou o site especializado Flightaware.com. 

Haiti. O presidente interino do país, Jocelerme Privert, visitou a região sul e declarou que a situação é "muito grave". O governante também acrescentou que seu país precisará de ajuda internacional para reparar os danos, mas ainda não decretou, de maneira oficial, o estado de catástrofe.

De acordo com diversas fontes, cerca de 340 mil pessoas foram afetadas pelo fenômeno, que atravessa hoje o arquipélago das Bahamas e segue rumo à Flórida, após passar por Haiti, República Dominicana, Jamaica e Cuba.

Privert apelou à solidariedade de todos e afirmou que o governo começará a oferecer assistência aos afetados. Além disso, o presidente interino disse que a prioridade neste momento é salvar vidas, e que os deslocados possam encontrar um abrigo temporário.

O impacto do furacão Matthew no Haiti também obrigou que as autoridades eleitorais adiassem ontem as eleições generais que estavam programadas para domingo.

O presidente do Conselho Eleitoral Provisório (CEP), Leopold Berlanger, disse em entrevista coletiva que o órgão "não pode garantir a distribuição dos materiais (eleitorais) em todo o país", por isso a nova data do pleito, que é crucial para estabilidade política e social desta nação, será anunciada na próxima semana. / REUTERS e EFE

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