NOAA via AP
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Furacão Matthew mata 343 no Caribe e ameaça sul dos EUA com devastação

Quatro Estados americanos estão em estado de emergência para a passagem da tempestade e a previsão é que o nível da água suba quase três metros; no Haiti número de mortos aumentou sensivelmente após buscas na parte do país mais afetada

O Estado de S.Paulo

06 Outubro 2016 | 20h55

MIAMI, EUA - O furacão Matthew, a tempestade mais forte em quase uma década no Caribe, avançava ontem rumo ao sudeste dos Estados Unidos após matar ao menos 343 pessoas. Enquanto passava pelo noroeste das Bahamas, o Matthew subiu da categoria 3 para a 4 no trajeto rumo à costa atlântica da Flórida, informou o Centro Nacional de Furacões dos EUA (NHC).

No Haiti, o país mais afetado até agora pela tempestade, o número de mortos subiu ontem de 21 para 339, segundo a Proteção Civil, depois que as autoridades começaram a resgatar corpos sob os escombros. Centenas de pessoas foram deslocadas depois que a tempestade destruiu casas e inundou bairros. De acordo com o ministro haitiano do Interior, François Anick Joseph, a poderosa tempestade devastou o município de Roche-à-Bateau, no sul do Haiti, país que foi destruído por um terremoto em 2010. Na República Dominicana, o Matthew deixou quatro mortos.

Preparação. O presidente dos EUA, Barack Obama, declarou estado de emergência no Estado da Flórida ontem. O NHC ampliou a área de seu alerta de furacão mais para o norte, avançando pelo Estado da Geórgia, e mais de 12 milhões de habitantes dos EUA estão sujeitos a avisos e alertas de furacão, segundo o canal Weather Channel.

As estradas de Flórida, Geórgia e Carolinas do Norte e do Sul ficaram congestionadas e as lojas que vendem alimentos ficaram sem suprimentos à medida que a tempestade se aproximava, causando a elevação das águas e levando consigo fortes chuvas e ventos que ganharam força entre quarta-feira e ontem e chegaram a 205 km/h.

O Matthew estava 290 quilômetros a sudeste de West Palm Beach e a 40 quilômetros de Nassau, capital das Bahamas, ao meio-dia de ontem (horário de Brasília), segundo o centro de furacões. 

“Os danos podem ser catastróficos se o furacão se abater diretamente sobre a Flórida”, alertou o governador Rick Scott, exortando cerca de 1,5 milhão de pessoas a obedecer as ordens de retirada. “Se vocês estiverem relutantes em se retirar, só pensem em todas as pessoas que foram mortas. O tempo está acabando. Está claro que ele ou vai atingir diretamente ou passar bem ao lado da costa, e teremos ventos com a força de um furacão.”

A previsão é que as águas subam até 2,7 metros. Os quatro Estados americanos no caminho do furacão declararam estado de emergência, uma medida que permite que os governadores convoquem a Guarda Nacional. Os abrigos da Flórida, Geórgia e Carolina do Sul estão recebendo pessoas que tiveram que sair de suas casas. 

Equipes federais de emergência estão se coordenando com autoridades dos quatro Estados e armazenando suprimentos, afirmou Obama.

Escolas e aeroportos da região ficaram fechados ontem e alguns hospitais foram desocupados, segundo a mídia local. Centenas de voos chegando e partindo das cidades de Miami, Fort Lauderdale e Orlando, na Flórida, foram cancelados, informou o site especializado Flightaware.com. Parques temáticos também foram fechados.

O furacão Wilma, o último a atingir a Flórida, deixou sem eletricidade durante dias mais de 6 milhões de pessoas. Segundo a Florida Power & Light Company, a principal fornecedora de eletricidade do sul da Flórida, cerca de 1,2 milhão de usuários podem ficar sem energia com a passagem de Matthew. / AFP, EFE e REUTERS

 

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