Joe Raedle/AFP
Joe Raedle/AFP

Furacão Michael deixa primeira vítima na Flórida

Uma árvore caiu sobre uma casa na cidade de Greensboro, matando seu ocupante; tempestade deixou um rastro de destruição

O Estado de S.Paulo

10 Outubro 2018 | 23h06

MIAMI - A queda de uma árvore sobre uma casa no Condado de Gadsden, no noroeste da Flórida, provocou a primeira morte relacionada à passagem do furacão Michael nos Estados Unidos, que tocou solo perto de Mexico Beach com categoria 4 na Escala Saffir-Simpson (que vai de 1 a 5).

O homem, que ainda não foi identificado pelas autoridades, morreu dentro de uma casa na cidade de Greensboro, a noroeste de Tallahasse, a capital do Estado da Flórida.

Michael, que perdeu força e avança como furacão de categoria 2 rumo à Geórgia, causou grandes inundações e destruição de residências em uma ampla região litorânea do noroeste da Flórida.

O furacão destruiu casas e derrubou árvores e postes de luz no noroeste da Flórida, uma zona balneária no Golfo do México onde a tempestade tocou a terra na tarde desta quarta-feira, com ventos de 250 km/hora.

Segundo as autoridades, foi a tempestade mais poderosa a atingir este Estado do sudeste americano em mais de uma década.

Fotos e vídeos de Mexico Beach, uma comunidade de cerca de 1.000 habitantes, mostravam cenas de devastação absoluta. As casas pareciam flutuar no meio de ruas inundadas, algumas totalmente destruídas após terem perdido o teto.

"Minha casa em Mexico Beach está debaixo d'água", disse Loren Beltrán, uma contadora de 38 anos, depois de ver imagens de seu bairro. "Perdi tudo de material, mas graças a Deus estamos bem". Ela e seu filho de 3 anos se refugiaram em outra casa em Panama City, onde o panorama não era, no entanto, muito mais animador.

Panama City parecia uma área de guerra depois de ter sido atingida por mais de três horas por fortes ventos e uma chuva intensa que caía horizontalmente. As ruas eram intransitáveis e havia antenas, tetos, árvores e semáforos espalhados por todos os lados.

O governador da Flórida, Rick Scott, escreveu no Twitter que "a resposta está chegando". "Nossos enormes esforços de recuperação continuam crescendo. Estamos prontos com agentes da lei, equipes médicas, voluntários, comida, água, eletricistas e mais", acrescentou.

Horas antes, Scott tinha dito que o furacão seria "a tempestade mais destrutiva a atingir o 'panhandle' da Flórida em um século". O "panhandle" é como se conhece em inglês esta área na costa do Golfo do México.

Ao informar ao presidente Donald Trump na Casa Branca, o chefe da agência federal de emergências FEMA, Brock Long, disse que Michael é o furacão mais intenso a atingir a área desde 1851.

Ao menos 380.000 pessoas estavam sem eletricidade na região noroeste, de acordo com um boletim da agência de emergências da Flórida, SERT, das 18H00 locais.

 

Furacão histórico -

"Infelizmente, esta é uma situação histórica, incrivelmente perigosa e de risco de vida", disse Ken Graham, diretor do NHC. "Será incrivelmente catastrófico".

O general Terrence O'Shaughnessy, comandante do Comando de Defesa Aeroespacial da América do Norte, disse que a rapidez com que a tempestade se formou e cresceu pegou os moradores desprevenidos.

"Começou como tempestade tropical, depois aumentou para categoria 1, depois 2 e quando menos esperávamos, era um furacão de categoria 4", disse O'Shaughnessy.

"Isto se torna um fator na retirada das populações locais", acrescentou. "Não vimos a resposta robusta de parte da população civil que normalmente vemos em outras tempestades."

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Cerca de quatro horas depois do furacão tocar terra, o olho de Michael se aproximava do sudeste do Alabama e do sudoeste da Georgia, indicou o NHC. Ele acrescentou que Michael tinha baixado para categoria 3, com ventos de 205 Km/hora - menos fortes, mas ainda perigosos.

"Michael deverá perder força à medida que cruzar o sudeste dos Estados Unidos ao longo de quinta-feira", disse o NHC.

Long, o chefe da FEMA, disse que muitos edifícios na Flórida não estão construídos para resistir a uma tempestade com ventos acima da categoria 3.

Estima-se que 375.000 pessoas de mais de 20 condados receberam ordens de retirada, obrigatória ou voluntária.

Trump declarou estado de emergência para a Flórida, o que permitiu liberar meios materiais suplementares e fundos federais.

A FEMA tem mais de 3.000 pessoas no terreno, enquanto o governador Scott disse que tinha ativado 3.500 guardas nacionais.

Nos Estados da Georgia e do Alabama foram emitidas declarações de emergência. Espera-se que depois Michael atingirá zonas da Carolina do Norte e da Carolina do Sul, já afetadas pelo furacão Florence há um mês. / AFP e EFE

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