Furacão perde força ao atingir o México

Tormenta deixa poucos prejuízos, mas ainda preocupa mexicanos

AP, Reuters e NYT, Cancún, México, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2022 | 00h00

A passagem do furacão Dean pelo sul do México não passou de um susto. Os ventos, que vinham se mantendo a mais 200 quilômetros por hora, perderam a força assim que atingiram o continente. Muitos turistas que não haviam sido retirados do balneário de Cancún passaram a manhã nas piscinas dos hotéis, aproveitando o sol que apareceu timidamente. Meteorologistas alertaram, contudo, que existe possibilidade de o Dean ganhar força novamente quando voltar ao mar.O furacão atingiu a fronteira do México com Belize às 3h de ontem (5h de Brasília), ainda com categoria 5, a máxima na escala Saffir-Simpson. No entanto, rapidamente perdeu intensidade e caiu até a categoria 1. Em Cancún e na Riviera Maia, o Dean foi sentido como uma tempestade tropical, tendo causado danos mínimos à infra-estrutura hoteleira e turística - apenas algumas palmeiras arrancadas, um pedaço do calçadão na área dos hotéis danificado e ondas de dois metros, produzindo uma ressaca que atraiu alguns turistas à orla. Segundo a Associação de Hotéis de Cancún, apesar de 50 mil turistas terem sido retirados das praias da península, cerca de 34 mil permanecem na área. Todos passaram a tempestade nos quartos, já que desde a noite de domingo as lojas tinham fechado e a polícia e o Exército passaram a patrulhar as ruas, impedindo a circulação de pessoas.Já nas primeiras horas de ontem, todos os hotéis retomaram suas atividades normais. O aeroporto de Cancún foi reaberto às 8h (10h de Brasília). A associação dos hotéis informou que mesmo com o forte vento, que não passou de 100 quilômetros por hora nos piores momentos do Dean, nenhum deles sofreu estragos consideráveis."Houve danos menores, chalés danificados e inundações de pequenos restaurantes, mas nada que não possa ser consertado com um esfregão", disse o presidente da organização, Jesús Almaguer.A prefeitura informou que as ondas teriam danificado algumas praias de Cancún. "Uma ou duas praias tiveram significante perda de areia", disse a secretária do Meio Ambiente do município, Reina Gil.O presidente mexicano, Felipe Calderón, disse que, até ontem, não havia notícia de mortos no México. No entanto, Calderón lembrou que por causa das chuvas, das estradas intransitáveis e da falta de comunicação com muitas vilas da região, principalmente aquelas atingidas pela tempestade quando ainda era de categoria 5, ainda não era possível determinar se o furacão deixou ou não vítimas fatais. O Dean é o primeiro furacão do ano no Oceano Atlântico e o primeiro em três décadas a atingir o México com categoria 5 no mês de agosto. Em sua passagem pelo Caribe, ele causou 13 mortes e deixou um rastro de destruição, principalmente na Jamaica.Hoje, o furacão deve voltar ao Golfo do México. De acordo com os meteorologistas, as águas quentes da região devem fazer com que sua intensidade aumente, o que ainda preocupa autoridades mexicanas e americanas. O furacão interrompeu a produção de petróleo em Cantarell, região mais produtiva do país. Segundo o Risk Management Solutions, que calcula as perdas ocasionadas por furacões, o prejuízo da tormenta pode chegar a U$ 1,5 bilhão.

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