Furacão põe leste dos EUA em estado de emergência e deve afetar 60 milhões

Com ondas gigantescas, fortes ventos e chuvas torrenciais, o furacão Sandy atingiu na noite de ontem a Costa Leste dos EUA, a mais populosa do país, onde estão as cidades de Nova York, Washington e Filadélfia. A oito dias da eleição presidencial, mais de 60 milhões de pessoas serão afetadas, com alagamentos e falta de energia ao longo da região que vai do Estado de Virgínia ao de Massachusetts.

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2012 | 02h04

Centenas de milhares de pessoas já estavam sem eletricidade no início da noite de ontem e milhões deveriam ficar sem luz hoje. A área sob maior risco era Atlantic City, na costa de New Jersey, a pouco mais de 100 quilômetros de Nova York. Os efeitos do furacão - de categoria 1 e ventos de até 150 km/h - foram agravados pelo fato de a maré estar alta no momento de sua chegada e em razão de um frente fria que veio do Canadá

Em Nova York, bairros inteiros foram esvaziados, incluindo áreas sofisticadas como Battery Park, West Village e Chelsea. A situação nas praias da cidade era ainda mais delicada em razão das ondas. Desde a noite de domingo, o transporte público deixou de funcionar por questões de segurança. As aulas foram suspensas, a Bolsa de Valores não abriu e os espetáculos da Broadway foram adiados. Nenhum dos aeroportos funcionou - até ontem à noite mais de 12 mil voos tinham sido cancelados - e a circulação de carros por alguns túneis foi interrompida.

As autoridades locais e federais decretaram estado de emergência. "Será uma grande e complicada tempestade", afirmou o presidente Barack Obama, que suspendeu sua campanha à reeleição (mais informações na página A18). Segundo ele, a paralisação do transporte público será um dos maiores problemas. O prefeito Michael Bloomberg pediu que as pessoas fossem para suas casas.

"Não fiquem nas ruas, porque vocês podem prejudicar as operações de resgate", afirmou. Ao todo, 375 mil pessoas foram orientadas a deixar suas casas só em Nova York. Parte se hospedou em hotéis e muitos foram para casas de amigos. Dezenas de milhares rumaram para abrigos da prefeitura, onde também seria fornecida alimentação.

No início da noite, um guindaste corria o risco de cair do alto de 80 andares do edifício mais caro de Nova York, ainda em construção, no coração de Manhattan. Por segurança, vários quarteirões foram esvaziados. O Carnegie Hall, conhecida casa de shows da cidade, poderia ser destruído caso a grua despencasse.

No início da tarde, antes da chegada do furacão, muitos moradores saíram às ruas para passear com seus cachorros e almoçar nos poucos restaurantes abertos. Em farmácias e pequenos mercados, havia filas. Na margem do Rio Hudson, muitos moradores aproveitavam para tirar fotos. "Você está perdendo a diversão", afirmou um empolgado americano para a mulher pelo celular. No fim da tarde, poucos táxis circulavam e a maior parte dos nova-iorquinos retornou para suas casas. Os ventos intensificaram-se e era difícil caminhar pelas ruas. Nos Estados de Delaware, Maryland e New Jersey, muitas estradas costeiras foram alagadas.

Nos dias anteriores à chegada do furacão, muitos moradores de Nova York já haviam se prevenido. Entre os artigos obrigatórios, estavam rádio de pilha, apito, lanterna e alimentos calóricos não perecíveis, como manteiga de amendoim. Muitos também sacaram mais de US$ 1.000 dos bancos para usar, caso os cartões de crédito não funcionassem. Os moradores receberem ainda a recomendação de encher as banheiras para ter água caso haja interrupção no abastecimento.

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