Furacão põe parte dos EUA em estado de emergência, mata 9 e afeta 60 milhões

Com ondas gigantes, ventos e chuvas torrenciais, o furacão Sandy atingiu ontem a Costa Leste dos EUA e matou pelo menos nove pessoas. Ao longo da noite, ele foi reclassificado como ciclone pós-tropical, perdeu força, mas deixou estragos. A oito dias da eleição presidencial, mais de 60 milhões de pessoas foram afetadas ao longo da região que vai do Estado de Virgínia ao de Massachusetts.

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2012 | 02h01

Rich Azzopardi, porta-voz do governador de Nova York, Andrew Cuomo, disse que cinco pessoas morreram no Estado - incluindo um homem de 30 anos que morreu ao ter sua casa destruída pela queda de uma árvore no bairro do Queens. Autoridades de New Jersey confirmaram duas mortes. As outras vítimas foram registradas nos Estados de Maryland e Connecticut, segundo informações da rede de TV NBC.

Cerca de 3 milhões de pessoas já estavam sem eletricidade no início da noite de ontem e outras milhares de casas deveriam ficar sem luz hoje. A área sob maior risco era Atlantic City, na costa de New Jersey, a pouco mais de 100 quilômetros de Nova York.

Antes de atingir a terra, o furacão, que chegou a ser classificado como de categoria 1, com ventos de até 150 km/h, virou um ciclone pós-tropical, de acordo com classificação do Centro Nacional de Furacões (NHC, na sigla em inglês). Seus efeitos foram agravados pelo fato de a maré estar alta no momento de sua chegada e em razão de um frente fria que veio do Canadá

Em Nova York, a água subiu cerca de 4 metros, um recorde, e bairros inteiros foram esvaziados, incluindo áreas sofisticadas como Battery Park, West Village e Chelsea. A situação nas praias da cidade era ainda mais delicada em razão das ondas.

Desde a noite de domingo, o transporte público deixou de funcionar por questões de segurança. As aulas foram suspensas, a Bolsa de Valores não abriu e os espetáculos da Broadway foram adiados. Nenhum dos aeroportos funcionou - até ontem à noite mais de 14 mil voos tinham sido cancelados - e a circulação de carros por alguns túneis foi interrompida. O governador de New Jersey, Chris Christie, disse que se a situação não melhorar até amanhã, ele assinará uma ordem cancelando as festividades do Halloween.

Autoridades locais e federais decretaram estado de emergência. "Será uma grande e complicada tempestade", afirmou o presidente Barack Obama, que suspendeu sua campanha à reeleição (mais informações na página A18).

O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, pediu que as pessoas fossem para suas casas. "Não fiquem nas ruas, porque vocês podem prejudicar as operações de resgate", afirmou. Ao todo, 375 mil pessoas foram orientadas a deixar suas casas só em Nova York.

No início da noite, um guindaste corria o risco de cair do alto de 80 andares do edifício mais caro de Nova York, ainda em construção, no coração de Manhattan. Por segurança, vários quarteirões foram esvaziados. O Carnegie Hall, conhecida casa de shows da cidade, poderia ser destruído caso a grua despencasse.

Nos dias anteriores à chegada do furacão, muitos moradores de Nova York já haviam se prevenido. Entre os artigos obrigatórios, estavam rádio de pilha, apito, lanterna e alimentos calóricos não perecíveis, como manteiga de amendoim. Muitos também sacaram mais de US$ 1.000 dos bancos para usar, caso os cartões de crédito não funcionassem. Os moradores receberem ainda a recomendação de encher as banheiras para ter água caso haja interrupção no abastecimento.

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