Furacão Sandy mata 40 no Caribe e ruma aos EUA

O furacão Sandy deve atingir os Estados Unidos na terça-feira, afirmou o Centro Nacional de Furacões dos EUA (NHC, na sigla em inglês). Meteorologistas alertam que o fenômeno pode provocar uma chamada "super tempestade" ao se misturar com uma tempestade de inverno (boreal) que se formou ao oeste dos Açores, em pleno Atlântico Norte. O furacão matou pelo menos 40 pessoas durante sua devastadora passagem pelo Caribe, a maioria no Haiti, mas também mais de dez pessoas em Cuba, onde até essa sexta-feira a extensão dos danos não era conhecida com exatidão. Sandy se formou como tempestade tropical em 23 de outubro e virou furacão no dia 24, pouco antes de atingir a Jamaica.

AE, Agência Estado

26 de outubro de 2012 | 18h48

De acordo com o NHC, Sandy deve tocar a terra firme em algum ponto entre a Carolina do Norte e Long Island, Nova York. Com a rara junção de sistemas climáticos diferentes em uma área densamente povoada, especialistas preveem pelo menos US$ 1 bilhão em danos. Isso porque Sandy, que parece ter poupado o Estado da Flórida, segue na direção norte e poderá se juntar a uma tempestade de inverno que se formou no dia 25 no Atlântico Norte, a oeste dos Açores, e segue em direção à costa leste americana.

Após passar pelo Caribe e causar a morte de pelo menos 40 pessoas, o furacão continua a seguir na direção norte. Ele pode afetar bastante os contratos futuros de energia. Se na terça-feira causar blecautes em Manhattan, os preços de gás natural podem cair, e se os habitantes seguirem o conselho do prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, e estocarem gasolina, os preços podem disparar - e em seguida despencar caso o acúmulo não se mostre necessário.

"O que estamos fazendo é tomar as preocupações que você espera de nós, não acho que há motivos de pânico", disse Bloomberg, na quinta-feira. Os meteorologistas batizaram a possível "super tempestade" de "Frankenstorm" (na tradução livre, tempestade monstro). "Está parecendo uma tempestade muito séria, que pode ser histórica", afirmou o diretor de meteorologia do Weather Underground.

O número de mortos pela passagem de Sandy continuava a subir no empobrecido Haiti, com a contagem, até o final da tarde desta sexta-feira, em 26 óbitos. Continuava a chover na ilha de Hispaniola, dividida entre Haiti e República Dominicana. O Haiti não foi atingido em cheio pela tempestade, que atravessou as ilhas da Jamaica e Cuba, bem como as Bahamas. Mas a precariedade das favelas haitianas não resistiu às chuvas torrenciais, que provocaram deslizamentos de lama e pedras. A cidade de Grand Goave foi uma das mais atingidas pelos deslizamentos. Funcionários do necrotério da cidade disseram que uma avalanche de lama matou uma mulher de 40 anos, Jacqueline Tatille, e os quatro filhos da mulher, com idades entre 5 e 17 anos. A lama soterrou o barraco onde a família vivia.

Joseph Celestin, porta-voz da Defesa Civil do Haiti, disse que várias das 26 pessoas perderam a vida quando tentaram cruzar rios que transbordaram por causa das chuvas e foram arrastadas pela correnteza. Segundo ele, se não parar de chover, o número de mortos tende a aumentar.

Em Cuba, Sandy deixou 11 mortos, danificou 5 mil casas e arrancou os telhados de 30 mil edificações, nas províncias de Santiago, Guantánamo e Holguín. O olho do furacão, contudo, poupou a maior cidade do Leste cubano e segunda maior do país, Santiago. Uma morte também foi reportada em Porto Rico (EUA) e outra nas Bahamas, onde várias ilhas foram atingidas por Sandy no final da noite de quinta-feira.

Autoridades cubanas dizem que entre os 11 mortos no leste da ilha estão um bebê de 4 meses, esmagado quando a casa onde vivia com os pais desabou, e um idoso de 84 anos na província de Santiago. Perto da cidade de Santiago, dois homens foram mortos por árvores derrubadas pela força dos ventos, informou o diário estatal Granma, do governo cubano. O governo cubano afirma que as lavouras de café e feijão, bem como os canaviais e bananais, foram em parte danificados nas províncias de Santiago e Holguín.

No final da tarde desta sexta-feira, Sandy perdeu um pouco de força, após passar pelas Bahamas e se dirigir para o mar aberto em direção ao norte. Às 18h32 (hora de Brasília) o furacão estava 50 quilômetros ao noroeste da ilha Great Abaco, se movimentando na direção norte a 11 quilômetros por hora, com ventos sustentados de 120 quilômetros por hora, informou o NHC em Miami. Sandy está 695 quilômetros ao sudeste de Charleston, no Estado da Carolina do Sul. O alerta de tempestade tropical permanece para a costa leste da Flórida, enquanto o alerta de furacão foi substituído para de tempestade tropical nas Bahamas.

As informações são da Dow Jones e Associated Press.

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