Fúria toma conta de egípcios no Cairo após anúncio de Mubarak

Presidente não renuncia e transfere poderes ao vice; manifestantes vão ao Palácio Presidencial

estadão.com.br

10 de fevereiro de 2011 | 22h22

 

Atualizado às 23h07

 

CAIRO - O clima de festa que havia tomado a Praça Tahrir, no centro do Cairo, momentos antes da esperada renúncia do presidente Hosni Mubarak deu lugar a uma atmosfera de fúria e tensão. O ditador transferiu os poderes para o vice sem deixar o posto e enfureceu os manifestantes que há 18 dias pedem sua renúncia.

 

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Os manifestantes já estão cercando o Palácio Presidencial e alguns se dirigiram à sede da televisão estatal. O Exército está no local também. Há temores de que haja violência nas próximas horas. Mohamed ElBaradei, expoente da oposição, disse que "o Egito vai explodir". Organizadores dos protestos convocaram uma multidão de 20 milhões de pessoas para protestar após as orações de sexta-feira.

 

Durante toda a quinta-feira, os rumores de que Mubarak renunciaria aumentaram. O presidente do Partido Nacional Democrático (PND), a legenda do presidente, havia dito que o ditador faria um discurso importante à noite e disse que ficaria surpreso se ele permanecesse no cargo até a sexta-feira.

 

Centenas de milhares de egípcios se reuniram na Praça Tahrir, principal palco dos protestos, para ouvir a provável renúncia. O presidente, porém, não atendeu à principal reivindicação dos manifestantes e pode ter dado início a uma nova - e mais forte - onda de marchas contrárias ao governo.

 

Relatos de uma repórter da televisão Al-Jazira afirmam que "houve um momento em que a Praça estava completamente silenciosa, todos ouviam ao pronunciamento. Mas mal pode-se ouvir o fim do discurso, porque no meio dele as pessoas tinham percebido que Mubarak não renunciaria".

 

Após Mubarak, Suleiman fez um pronunciamento. Ele pediu aos manifestantes que voltassem para casa e para o trabalho. "Abrimos a porta para o diálogo. Chegamos a um acordo. Elaboramos um plano para atender a maioria das demandas. A porta ainda está aberta", disse. Tomados pela fúria, os egípcios seguirão desobedecendo as ordens das autoridades, como fazem desde o dia 25 de janeiro.

 

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