Furto de ex-mordomo prejudicou Igreja, diz Lombardi

O tribunal do Vaticano que condenou o ex-mordomo de Bento XVI de furto de documentos e correspondência do pontífice, disse rispidamente nesta terça-feira que o evento provocou danos "repreensíveis" ao papa, à Santa Sé e ao conjunto da Igreja católica Romana, e afirmou que as investigações continuam. O ex-mordomo Paolo Gabriele, de 46 anos, foi condenado a 18 meses de prisão, que no momento cumpre sob prisão domiciliar. Gabriele foi condenado pelo tribunal no começo de outubro e ainda poderá obter o perdão papal.

AE, Agência Estado

23 de outubro de 2012 | 14h57

Nesta terça-feira, o veredicto foi publicado e o porta-voz do papa, o reverendo Federico Lombardi, disse que o perdão é "possível", mas ainda não foi concedido. Gabriele passou os documentos e correspondência furtadas a um jornalista italiano, Gianluigi Nuzzi, que escreveu um livro revelando vários segredos, como as relações entre o Vaticano e governos e os esforços de Bento XVI para encobrir escândalos sexuais na ordem Legionários de Cristo, que foi suspensa nos últimos anos. O ex-mordomo disse, quando foi descoberto, que queria revelar a "maldade e a corrupção" ao redor de Bento XVI e que o papa ignorava os fatos.

Lombardi disse hoje que Gabriele possui uma "capacidade intelectual limitada" e que os juízes reconheceram que ele acreditava que fazia a coisa certa quando passou os documentos a um jornalista. Mesmo assim, eles afirmaram que o crime de Gabriele foi "repreensível" uma vez que o ex-mordomo violou a confiança de Bento XVI. Lombardi disse que mesmo após a condenação a investigação permanece aberta e Gabriele poderá sofrer outras acusações.

O advogado de Gabriele disse que não pretende apelar da sentença, o que seria o direito do seu cliente nos próximos dias. Quando esse prazo acabar, contudo, Gabriele terá que cumprir a sentença em uma cela na Cidade do Vaticano, não em prisão domiciliar. O Vaticano disse antes que Gabriele teria que cumprir a sentença em uma penitenciária italiana, uma vez que a minúscula Cidade do Vaticano não possui prisões. Mas agora o tribunal parece disposto a mantê-lo enclausurado na Cidade do Vaticano, sob estrita vigilância da polícia local, com medo de que ele possa falar mais em meio à população carcerária em uma prisão na Itália.

O julgamento de Claudio Sciarpelletti, um técnico em informática acusado de ajudar Gabriele a ajudar e encobrir os furtos, começará em 5 de novembro, disse Lombardi. Sciapelletti afirma ser inocente.

As informações são da Associated Press.

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