AP Photo/Matt Dunham
AP Photo/Matt Dunham

Futebol americano se une em protesto contra Trump

Jogadores da NFL se ajoelham durante hino nacional após presidente pedir demissão de quem protestasse contra racismo

O Estado de S.Paulo

25 Setembro 2017 | 05h00

WASHINGTON - Atletas, comissão técnica e donos de equipes de futebol americano – o esporte mais popular dos Estados Unidos – participaram de protestos em 14 jogos da rodada de ontem contra o presidente Donald Trump, que na sexta-feira defendeu que jogadores fossem demitidos ou suspensos por protestar ajoelhados durante a execução do hino nacional contra violência policial contra negros. 

Ao longo do fim de semana, a insatisfação de atletas com o presidente, que chegou a se referir aos manifestantes com xingamentos, cresceu. Ontem, alguns se ajoelharam, outros se abraçaram do hino e ao menos três equipes ficaram no vestiário na hora da cerimônia – em uma atitude descrita pelo presidente como antipatriótica. 

O ato silencioso de desagravo ao presidente representa uma ação coletiva e de solidariedade rara na liga. Em algumas equipes, como o Jacksonville Jaguars e o Philadelphia Eagles, os donos dos times deram os braços aos atletas. 

O ato de se ajoelhar durante o hino começou no ano passado, quando o quarterback Colin Kaepernick – hoje sem time – quis protestar contra a violência policial dirigida a negros nos Estados Unidos. 

Na sexta-feira, Trump pediu em um discurso no Alabama que os técnicos da NFL “tirassem esses filhos da ... de campo” se os protestos continuassem. Ao longo do fim de semana, ele voltou a pressionar, por meio do Twitter, por punições aos manifestantes.

“Se os torcedores se recusarem a ir aos jogos até que os jogadores parem de desrespeitar a bandeira e o país, as coisas mudarão rapidamente. Demitam ou suspendam”, tuitou Trump três horas antes do início do primeiro jogo do dia, realizado em Londres como parte de um esforço para ampliar o número de torcedores da liga no exterior. 

O teor e conteúdo das críticas, que Trump reiterou via mídia social durante o fim de semana, desencadeou reações de vários jogadores e técnicos das 32 equipes da NFL. Embora muito distantes de apoiar em massa a forma de protesto adotada por Kaepernick, muitos emitiram declarações defendendo o direito de os jogadores – e de todos os americanos – de se manifestarem em assuntos sobre os quais são apaixonados. 

Antes do início do jogo dos Eagles contra os New York Giants, quando uma bandeira era estendida, o dono dos Eagles, Jeffrey Lurie, uniu-se a seus jogadores, funcionários e vários policiais ficando de pé, ombro a ombro, na <WC>l<WC1>ateral do campo da Filadélfia. O chefe da segurança dos Eagles, Malcolm Jenkins, ao lado de Lurie, ergueu o punho fechado. Alguns dosjogadores dos Giants se ajoelharam, como Olivier Vernon, Landon Collins e Damon Harisson, enquanto outros se mantinha de pé – todos com o braço estendido para o homem a seu lado. 

Durante a cerimônia de abertura no Foxborough Stadium, o quarterback dos Patriots Tom Brady deu o braço aos colegas de time e levou a mão ao coração. Alguns dos Patriots se ajoelharam, outros ficaram de pé. Alguns torcedores vaiaram, enquanto outros cantavam.

 jogador Julius Thomas, do Miami Dolphins, disse que aderiu aos protestos porque queria mostrar publicamente que discorda de Trump. “Não concordo com o presidente tentar intimidar as pessoas”, disse. “Muitas pessoas não têm voz e eu quero dizer a essas pessoas que elas não estão sozinhas.”

Na manhã de hoje, quase metade dos 32 proprietários de equipes da NFL divulgou declarações. Uma das mais notáveis foi a do dono do New England Patriots, Robert Kraft, firme apoiador de Trump que doou US$ 1 milhão para sua cerimônia de posse. Ele escreveu que estava “profundamente desapontado com o tom dos comentários feitos pelo presidente na sexta-feira”./ NYT e W.POST 

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