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Futuro de força bem treinada e ociosa preocupa vizinhos das Farc

De acordo com análise da inteligência militar dos EUA, fortemente presente na Colômbia, não há unanimidade quanto ao compromisso de cessar-fogo entre os diversos movimentos da luta armada

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

26 Agosto 2016 | 05h00

Os prováveis 10 mil guerrilheiros das Farc que serão desmobilizados até janeiro podem, sim, tentar seguir com a vida e dedicar-se a atividades civis legítimas. Faz parte do acordo de paz anunciado há dois dias a emissão de novos documentos e o encaminhamento para o mercado de trabalho. Não é tão simples. De acordo com análise da inteligência militar dos EUA, fortemente presente na Colômbia, não há unanimidade quanto ao compromisso de cessar-fogo entre os diversos movimentos da luta armada abrigados sob a sigla criada há pouco mais de 50 anos. Em 2001, eram 67 diferentes grupos - da ortodoxa Aliança Nacional ao radical Exército Vermelho do Povo.

 

No Brasil, que divide 1.650 km de fronteira com a Colômbia, oficiais do Comando Militar da Amazônia e agentes de campo da Policia Federal ouvidos ontem pelo “Estado”, têm preocupações semelhantes. Temem, por exemplo, o crescimento da entrada de imigrantes clandestinos e consideram o aumento do tráfico de armas longas, fuzis do tipo Ak-47 russo, T-56 chinês e AKM, cubano. Os três são encontrados em larga escala no arsenal dos revolucionários, com munição, granadas e explosivos.

Há certa apreensão em relação à integração dos guerrilheiros aos cartéis do narcotráfico - da Colômbia, do Brasil, da Bolívia e de um novo polo, a Venezuela. Os homens e mulheres das Farc são combatentes treinados, disciplinados, experimentados e hábeis conhecedores das rotas da selva. A rigor, estarão desempregados antes do fim do ano.

Há precedente: nos anos 90, várias colunas das Farc acabaram por desempenhar o papel de braço armado das gangues de traficantes - primeiro, trocando o serviço de proteção por armamento, medicamento e alimento; depois, aceitando pagamento em dinheiro mesmo. Os mesmos times davam cobertura a garimpeiros clandestinos, mercadores ilegais de madeiras nobres e aos “gatos” que promovem o recrutamento de mão de obra escrava no eixo norte do continente. 

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