Futuro do PC cubano é debatido em conferência

Cerca de 800 delegados do Partido Comunista Cubano iniciaram neste sábado uma conferência de dois dias para um debate interno sobre o futuro e a organização interna da legenda, que é a única organização partidária legalmente reconhecida na ilha.

AE, Agência Estado

28 de janeiro de 2012 | 17h53

O presidente Raúl Castro, que também é primeiro-secretário do partido, liderou o encontro, segundo informações divulgadas pelo site governamental Cubadebate, que também publicou imagens do início dos debates.

O jornal oficial Granma informou em sua edição deste sábado que os delegados, que representam cerca de 800 mil militantes, debaterão um documento que foi divulgado no final de 2011, depois de ser analisado e alterado em cerca de 65 mil reuniões em núcleos partidários.

"Creio que a única coisa que pode ser interessante é se farão alguma eleição, ver quem colocam no Politburo (o nível máximo do Comitê Central), sobretudo se colocam algum homem que não tenha 80 anos, que seja de uma geração mais jovem", disse à Associated Press Javier Blanco de 32 anos. "Além disso, não espero mais nada. Não acredito que saia nada de novo que já não saibamos", afirmou ele.

Embora não haja uma agenda detalhada sobre a conferência, o Granma informou que entre os temas discutidos estarão a promoção de mulheres, negros, mestiços e jovens para cargos de direção do partido e do governo.

Sobre os mandatos presidenciais, a proposta é de que se limitem a duas gestões seguidas de cinco anos, o que pode significar, pela primeira vez, um limite de mandatos, assim como os primeiros passos para uma troca de gerações no poder.

Um Congresso realizado em abril de 2011 serviu de plataforma para a convocação da conferência deste final de semana. Inicialmente houve grandes expectativas sobre a adoção de maiores reformas políticas, mas as esperanças diminuíram no transcorrer do ano.

Segundo o Granma, os delegados decidirão as linhas de ação para acompanhar "o processo de atualização do modelo econômico e a marcha da economia", iniciada por Castro e que busca uma administração mais racional do Estado, sem que se perca o caráter socialista do sistema e seus ganhos em matéria de seguridade social.

A partir de 2010, Castro deu início a um programa de medidas até então impensáveis, como a flexibilização do trabalho independente do Estado, a entrega de terras ociosas em usufruto, a abertura do mercado imobiliário e de automóveis. Também foi implementada uma política de créditos particulares e subsídios para melhorias no saneamento de casas. As informações são da Associated Press.

Tudo o que sabemos sobre:
Cubapartido comunista

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.