''Futuro do presidente Mubarak será decidido nas próximas 24 horas''

Em entrevista, especialista não descarta que militares assumam poder no Egito

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2011 | 00h00

Sob a promessa de uma megamanifestação hoje no Cairo, o líder egípcio Hosni Mubarak poderá ver seu destino decidido "nas próximas 24 horas", diz Reva Bhalla, especialista em Oriente Médio da consultoria de risco político Stratfor. Reva também não descarta a possibilidade de militares manterem o regime, mas sem Mubarak.

O governo egípcio sobreviverá?

As próximas 24 horas serão decisivas, com os protestos marcados para hoje. As manifestações dos últimos dias romperam a barreira do medo de se opor ao regime. A população acredita que pode protestar. Amanhã (hoje), por ser sexta-feira (dia de folga), mais pessoas poderão ir às ruas. Hoje haverá uma "tolerância zero", não podemos esquecer que o Egito tem um forte aparato de segurança.

O regime pode prosseguir sem a liderança de Mubarak?

Mesmo antes dos protestos, muitos militares da velha guarda estavam irritados com o possível apoio de Mubarak a seu filho, Gamal, nas eleições de setembro. Eles preferem que um deles assuma. Note como Mubarak está quieto e, mais importante, Gamal foi para Londres. Eles estão prestando atenção nos protestos. Se perceberem que o foco está no presidente, trabalharão por sua renúncia. Mas eles precisam tomar cuidado para não perder o controle das ruas. Amanhã (hoje) deve haver muita repressão. Lembre que no Irã o regime conseguiu conter os protestos de 2009.

E, caso o regime todo entre em colapso, qual seria a chance de figuras respeitadas no exterior, como Mohammad ElBaradei, assumir o poder?

Baradei é uma figura marginal e estava havia muito tempo no exterior. Nesses protestos, aparecem porque falam inglês e são liberais. Mas, depois da queda do regime, perdem força.

Quem lidera os protestos? Jovens?

Sim. Jovens de movimentos como o 6 de Abril. Mas ainda são muito desconhecidos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.