Andrew Harnik/AP
Andrew Harnik/AP

Futuro governo Biden terá grande participação feminina

Afro-americanos, ex-rivais e republicanos também são cotados

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2020 | 17h06

Joe Biden prometeu um "governo que represente os Estados Unidos" e embarcou na composição de uma equipe mista e feminina sem esperar que Donald Trump admitisse a derrota ou ajudasse na transição. 

O ex-vice-presidente, que chegará à Casa Branca em 20 de janeiro, já nomeou o veterano democrata Ron Klain como seu chefe de gabinete e vários de seus futuros assessores. 

A composição do seu governo será mais complicada. Seus ministros terão de ser confirmados pelo Senado, onde os republicanos manterão a maioria, a menos que os democratas ganhem duas eleições parciais em janeiro.

Enquanto isso, aqui estão os nomes que circulam para a composição do gabinete:

Relações Exteriores

Uma ex-embaixadora da ONU e ex-conselheira de segurança nacional do presidente Barack Obama, Susan Rice pode rapidamente assumir a secretária de Estado. 

Carismática, a afro-americana de 56 anos tem ótimas relações com Joe Biden. 

Mas nunca ocupou um cargo eleito e foi atingida pela controvérsia sobre o ataque de 2012 à missão diplomática dos EUA em Benghazi, na Líbia, o que pode complicar sua confirmação. 

O senador Chris Coons, amigo próximo do presidente eleito de 57 anos, tem mais consenso. Membro do influente Comitê de Relações Exteriores, ele coopera regularmente com seus colegas republicanos. 

Os nomes do senador Chris Murphy, mais próximo da ala esquerda do Partido Democrata, e do diplomata William Burns, número dois no Departamento de Estado de Barack Obama, também aparecem para o cargo.

Finanças

Lael Brainard, 58 anos, funcionária do banco central americano, parece a mais indicada para se tornar secretária do Tesouro, disseram fontes financeiras próximas a Biden à Agência France Press

Única democrata entre os governadores desta instituição, ela se destacou por se opor à desregulamentação do setor bancário e por insistir no combate às mudanças climáticas.

Fiel à sua imagem de "unificador", Biden gostaria de nomear um ou dois republicanos para sua equipe, o que dá chances a Meg Whitman, uma líder empresarial que foi candidata republicana a governadora da Califórnia em 2010.

Mellody Hobson, co-presidente de um fundo mútuo, uma das mulheres negras mais influentes de Wall Street, poderia se beneficiar da aspiração dos legisladores afro-americanos de ver uma negra no comando das finanças da América.

Também participam da disputa a ex-presidente do banco central, Janet Yellen, e o afro-americano Roger Ferguson, que por muito tempo chefiou um fundo de pensão.

Defesa

Michele Flournoy, vice-ministra da Defesa no governo Barack Obama, parece ter uma vantagem sobre seus concorrentes.

Com vasta experiência no Pentágono, a mulher de 59 anos é respeitada além dos democratas e poderia ser facilmente confirmada no Senado. 

Nesse caso, ela se tornaria a primeira mulher a chefiar um departamento que sempre foi chefiado por homens brancos (assim como o Tesouro). 

Também circularam para este cargo o nome da senadora Tammy Duckworth, ex-militar de origem asiática que perdeu as duas pernas no Iraque, e de seu colega Jack Reed, membro do comitê das Forças Armadas.

Justiça

Doug Jones, 66 anos, não conseguiu manter seu emprego como senador do Alabama, mas parece bem colocado para se tornar o "Procurador Geral" dos EUA. 

Jones foi promotor federal em 2002, quando liderou a acusação de ex-membros da Ku Klux Klan responsáveis pelo ataque mortal a uma igreja negra em Birmingham em 1963.

A ex-funcionária do Departamento de Justiça Sally Yates, 60 anos, também concorre a esta posição, onde permaneceu no início da presidência de Donald Trump, mas foi demitida após se opor a um polêmico decreto de imigração. 

Também se discute a possibilidade de Tom Pérez, democrata que fez parte do governo Obama.

Ex-rivais internos

Poderiam ex-concorrentes de Joe Biden nas primárias democratas entrar em seu governo? Kamala Harris será sua vice-presidente, a primeira mulher a assumir esse cargo.

Mas o presidente eleito de linha moderada não parece embaralhar os nomes dos progressistas Bernie Sanders, que não esconde seu interesse em assumir o Departamento do Trabalho, ou Elizabeth Warren. 

Pete Buttigieg, 38 anos, ex-prefeito de South Bend e homossexual, pode, no entanto, ser nomeado ministro dos Assuntos dos Veteranos ou embaixador na ONU. /AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.