Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Estadão Digital
Apenas R$99,90/ano
APENAS R$99,90/ANO APROVEITE

Futuro governo dá sinal de nova política externa

Composto por veteranos da era Clinton, novo Departamento de Estado poderá dialogar com Cuba, Venezuela, Irã, Síria e, possivelmente, Hamas

The Guardian, Londres, O Estadao de S.Paulo

13 de janeiro de 2009 | 00h00

O presidente eleito dos EUA, Barack Obama, deve selar nesta semana uma forte ruptura em relação à política externa do governo George W. Bush, ao anunciar uma equipe de diplomatas e especialistas dispostos a dialogar com os principais inimigos de Washington. A informação foi revelada no domingo pelo jornal inglês The Observer.Supervisionados pela futura secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, os novos nomes contrastam com os neoconservadores que dominaram a diplomacia americana durante o governo Bush. Os quadros de Obama seriam menos propensos a usar a força no cenário internacional e favoreceriam acordos multilaterais.Concretamente, a partir do dia 20, a nova diplomacia buscará estabelecer canais de diálogo direto com rivais históricos dos EUA - de Cuba e Venezuela, a Síria, Irã e, eventualmente, grupos islâmicos como o Hamas.Grande parte dos nomes que devem integrar o novo Departamento de Estado integrou o governo Bill Clinton. Vários seriam especialistas no mundo islâmico. O ex-embaixador dos EUA na ONU Richard Holbrooke, responsável pelos acordos nos Bálcãs, por exemplo, será apontado assessor especial para o Afeganistão e Paquistão - ponto nevrálgico da guerra ao terror. Negociador americano dos Acordos de Oslo, entre palestinos e israelenses, Dennis Ross será responsável pelo Irã. A nomeação demonstraria disposição para dialogar com Teerã. O acadêmico Philip Gordon, do centro de pesquisa Brookings Institution, auxiliará nas relações com a Europa.Mesmo antes de iniciada, porém, a guinada de Obama já provoca críticas. Na semana passada, o ex-secretário da Defesa do governo Clinton William Perry alertou que a nova presidência poderá ter de lidar com um Irã detentor de armas nucleares em um ano. A posição de Perry foi endossada por conservadores, que alertam para os perigos do diálogo com inimigos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.