Futuro líder chinês ressalta combate à corrupção em discurso

- O Partido Comunista da China só será capaz de festejar seu 100º aniversário dentro de oito anos se as autoridades puderem aprender com os sábios abnegados do passado, disse o líder do aprtido Xi Jinping, em declarações publicadas neste domingo que são um novo ataque à corrupção no país.

Reuters

03 de março de 2013 | 10h49

Xi assumirá ao poder na China, em substituição ao atual presidente Hu Jintao, na sessão plena anual do Parlamento prevista para este mês. Ele fez da luta contra a corrupção disseminada no país um tema central de sua plataforma desde que assumiu a chefia militar e do Partido Comunista, em novembro.

O PC celebrará o 100º aniversário de fundação em 2021, um ano antes de Xi encerrar seu segundo mandato de cinco anos e deixar o posto de líder do partido.

"Somente se as capacidades de todos os membros do partido continuarem a ser reforçadas incessantemente, poderá ser alcançada a meta de "dois 100 anos" e o "sonho" do grande rejuvenescimento do povo chinês, disse Xi, em um discurso para marcar o 80º aniversário da Escola Central do Partido, que treina funcionários em ascensão.

A expressão "dois 100 anos" refere-se à meta de que tanto o partido como a República Popular da China durem pelo menos um século cada.

A República Popular completará 100 anos em 2049. Os comunistas chegaram ao poder e fundaram a república em 1949, depois de vencer uma guerra civil e forçar as tropas do Partido Nacionalista (o Kuomintang), de Chiang Kai-shek, a fugir para Taiwan, que o governo chinês reivindica como parte de seu território.

O conceito de "dois 100 anos" tem sido citado pela mídia estatal nas últimas semanas, mas o discurso de sexta-feira foi a primeira vez em que Xi explicitamente o mencionou. O pronunciamento foi reproduzido na íntegra pelo Diário do Povo, porta-voz do partido.

Xi já alertou anteriormente que a corrupção ameaça a própria sobrevivência do partido e lançou uma campanha para evitar o desperdício e a corrupção.

O líder chinês salpicou seu último discurso de referências a aforismos de funcionários virtuosos e filósofos da China antiga, incluindo o confucionista Mêncio (372-289 aC) e Liang Zhuge (181-234 dC), um estadista e estrategista elogiado até hoje por sua sabedoria e devoção a seu monarca.

Mas os membros do partido também não devem esquecer os ensinamentos de Karl Marx e do falecido presidente Mao Tsé-tung, acrescentou Xi.

(Reportagem de Ben Blanchard e Benjamin Kang Lim)

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