Futuro premiê terá o desafio de atender às crescentes expectativas dos indianos

Há cerca de uma ano, Narendra Modi sentou-se com algumas personalidades políticas da Índia para montar uma impactante campanha eleitoral, comparada por um estrategista à operação militar unilateral dos EUA contra as forças de Saddam Hussein no Golfo Pérsico.

SANJEEV MIGLANI, Reuters

16 Maio 2014 | 09h14

Em um escritório sem nada chamativo na fachada, em Gandhinagar, capital do Estado-sede de Modi, Gujarat, jovens homens e mulheres, alguns em períodos sabáticos de empresas como JP Morgan e Deutsche Bank, trabalhavam para transformar uma fragmentada eleição parlamentar envolvendo 543 cadeiras em um referendo sobre o candidato, no estilo presidencial.

Ao fazer isso, Modi distanciou-se da tradicional estrutura de seu partido, o Bharatiya Janata (BJP), organizada em Déli, e adotou a linguagem de um país repleto de jovens e ansioso por mudanças, utilizando de tudo, desde hologramas até o aplicativo de mensagens de texto WhatsApp.

A abordagem moderna funcionou: em apenas uma hora na contagem de votos nesta sexta-feira, estava claro que Modi, de 63 anos, estava caminhando para uma impressionante vitória, com o mandato mais forte do que qualquer governo indiano teve em 30 anos.

No meio da tarde (horário local), o BJP e seus aliados estavam liderando a contagem com 339 assentos parlamentares, bem mais do que a maioria de 272 assentos que é necessária para governar. Mesmo sem incluir os aliados, o BJP cruzou essa marca.

Tão grande parece ser o desejo por mudança, especialmente entre a classe média da Índia, de mais de 300 milhões de pessoas, e de maneira tão firme Modi manteve sua mensagem, que o obscuro capítulo de violência contra muçulmanos que marcou as eleições significou pouco e menos ainda para muitos eleitores.

Modi, um nacionalista hindu, há tempos enfrenta alegações de ter sido complacente quando multidões hindus participaram de um ato de vingança contra muçulmanos em Gujarat após um trem com peregrinos hindus ter sido incendiado em 2002. Ele negou as alegações e a Suprema Corte o absolveu de responsabilidade.

Nos últimos anos, o Estado que Modi governa desde 2001 foi comparado com a província chinesa de Guangdong, que lidera o crescimento econômico desse país.

Desde que Modi assumiu o controle, Gurajat tem liderado o PIB nacional. O Estado representa 16 por cento da produção industrial e 22 por cento das exportações, apenas de ter apenas 5 por cento da população.

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