Futuro preocupa população palestina

Os palestinos estão tristes e ansiosos com a repentina deterioração da saúde do líder. A população preocupa-se com as perspectivas futuras, com a possibilidade de uma sangrenta disputa pelo poder, do aumento da militância e até mesmo de negociações de paz com Israel. Pessoas entrevistadas nas mesquitas, nas lojas e nas ruas comentavam que a doença repentina de Arafat e sua partida para a França certamente trariam um período de incerteza e mudanças imprevisíveis na vida cotidiana dos palestinos e na política do Oriente Médio. Yasser Abed Rabbo, um político de confiança de Arafat, disse à AP que as frágeis instituições governamentais palestinas funcionarão normalmente durante a ausência de Arafat. De acordo com ele, o ex-primeiro-ministro Mahmoud Abbas passará a liderar o comitê executivo da Organização para a Libertação da Palestina (OLP); o atual primeiro-ministro, Amed Qureia, chefiará o gabinete e o Conselho de Segurança Nacional; e Rauhi Fattouh continuará na presidência do Parlamento. "Não haverá vazio de poder", garantiu Rabbo. Outros líderes palestinos consideram improvável a possibilidade de uma disputa de poder num primeiro momento porque poucos políticos estariam dispostos a ser vistos como usurpadores do manto de Arafat. As pessoas ouvidas concordam que a disputa pelo poder se instalaria apenas no caso de Arafat vir a falecer. O resultado disso poderia ser tanto o surgimento de líderes jovens mais abertos a reformas, quanto a permanência da velha-guarda da OLP ou a abertura de espaço para grupos mais radicais, como o Hamas e a Jihad Islâmica. De qualquer forma, o mal repentino do histórico líder palestino levou o Hamas, um tradicional rival de Arafat, a solidarizar-se e oferecer-se para compor um governo de unidade nacional concentrado nos esforços de realização de eleições. A respeitada legisladora palestina Hanan Ashrawi comentou que já avisou a Sharon, em diversas ocasiões, para que "tomasse cuidado com o que ele deseja", pois as alternativas a Arafat poderiam ser muito mais radicais. Em entrevista à The Associated Press, ela disse que ninguém é capaz de substituir Arafat como personalidade política, mas sua posição de líder executivo pode estar próxima do fim. "Existem instituições estabelecidas e ninguém deve esperar que o resultado disso seja o caos ou um motim interno", acredita Ashrawi. Presidente Lula - O presidente Lula enviou ontem à Autoridade Palestina votos de recuperação do seu presidente, Yasser Arafat, internado em Paris para tratamento de saúde. Na mensagem, divulgada à noite pela Secretaria de Imprensa da Presidência da República, Lula diz: "Transmito os votos de pronta recuperação do presidente Yasser Arafat, líder histórico da causa palestina e incansável artífice dos anseios de autodeterminação de seu povo".

Agencia Estado,

29 Outubro 2004 | 22h00

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