REUTERS/Jose Cabezas
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Futuro presidente do Panamá, Cortizo quer 'resgatar' nome do país e 'unir forças'

Ex-ministro da Agricultura foi eleito com o apoio de um terço do eleitorado; margem para o segundo colocado foi de 40 mil votos

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2019 | 16h48

CIDADE DO PANAMÁ - O presidente eleito do Panamá, Laurentino Cortizo venceu as eleições no domingo, 5, com o discurso de “resgatar” o nome do país, marcado pelo escândalo dos Panamá Papers e presente em várias listas de paraísos fiscais. Conhecido como “Nito”, o ex-ministro da Agricultura conquistou o apoio de apenas um terço do eleitorado em disputa presidencial de turno único. 

O clima estava tenso no hotel em que os apoiadores de Cortizo passaram horas reunidos para esperar seu candidato com bandeiras vermelhas, brancas e azuis do Partido da Revolução Democrática (PRD) , de inclinação social-democrata. Quando o tribunal eleitoral informou a vitória, eles começaram a bradar “Nito, Nito, Nito!”, forma como o empresário e ex-ministro da Agricultura de 66 anos é conhecido.  

Eleito por uma margem de apenas 40 mil votos sobre o direitista Rómulo Roux, Cortizo pediu união após vencer a corrida eleitoral mais acirrada da história do país centro-americano. “Hoje, mais do que nunca, o Panamá precisa unir forças”, disse a apoiadores em discurso que fez à meia-noite em seu hotel de campanha. 

Com a vitória, Cortizo conseguiu que o PRD, fundado pelo líder nacionalista Omar Torrijos, retornasse ao poder após uma década de oposição. Seus seguidores destacam sua humildade e sensibilidade social, enquanto seus críticos o culpam por estar cercado por deputados acusados de escândalos de corrupção. 

Seu plano de governo inclui melhorar a educação, reformar o Estado, impulsionar a economia, combater a pobreza e a desigualdade e melhorar a transparência do governo.  

Ele também prometeu criar o Ministério da Cultura e o Ministério da Mulher, elevar questões agrícolas a política do Estado e punir empresas acusadas de corrupção. 

O presidente eleito tomará posse em 1º de julho e terá de equilibrar relações com os Estados Unidos e a China, uma vez que o presidente em fim de mandato, Juan Carlos Varela, irritou Washington estabelecendo laços diplomáticos formais com Pequim, hoje a segunda maior cliente do canal. 

De origem espanhola e grega, Cortizo estudou Comércio Internacional nos Estados Unidos, onde trabalhou na Organização dos Estados Americanos (OEA) e conheceu sua mulher, Yazmín Colón, que o chama de "gringuito". Com ela, teve dois filhos.  

Esse torcedor do Real Madrid e do Boston Celtics foi eleito deputado pela província caribenha de Colon em 1994. Em um segundo mandato, ele passou a presidir a Assembleia Nacional entre 2000 e 2001.  

Cortizo foi nomeado à sua mais alta posição política em 2004, quando o então presidente Martín Torrijos lhe pediu que assumisse o cargo de ministro do Desenvolvimento Agrícola, que ocupou por 15 meses.  

Ele renunciou por considerar que o Panamá não deveria aceitar a flexibilização de normas sanitárias que, na sua opinião, seriam impostas por um tratado de livre-comércio com os Estados Unidos, embora agora afirme que esse acordo deve ser respeitado./AFP e Reuters

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