Futuro presidente dos EUA lidará com Congresso dividido

Seja Obama ou Romney o próximo eleito, Câmara deverá apresentar maioria republicana e Senado terá domínio democrata

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2012 | 03h03

As eleições de novembro nos EUA não definirão apenas quem estará à frente da Casa Branca nos próximos quatro anos, mas se o presidente terá o Congresso como aliado ou inimigo. No Senado, onde 21 das 100 cadeiras estão em disputa nas eleições deste ano, as pesquisas apontam a tendência de preservação da maioria democrata. Os republicanos, porém, já têm certeza de seu domínio sobre a Câmara dos Deputados até 2016.

Esse cenário aponta dificuldades tanto para o democrata Barack Obama, candidato à reeleição, quanto para seu desafiante republicano, Mitt Romney. Se eleito, Obama governará sem o apoio da Câmara e com maioria estreita no Senado, como vem ocorrendo há dois anos. Se Romney vencer, enfrentará a oposição do Senado, a instância com poder de decisão sobre questões de política externa e de defesa. Um ditado político de Washington diz que o presidente dos EUA, no primeiro mandato, se preocupa em ser reeleito; no segundo, em entrar para a história.

Romney, com o Senado nas mãos dos democratas, dificilmente cumprirá suas principais promessas de campanha. Ele precisaria de 60 votos para eliminar a reforma da Saúde promovida por Obama e a maioria mais um (51 votos) para emplacar um ajuste severo nas contas públicas, por meio de cortes de gastos e da preservação de benefícios fiscais para os americanos com renda superior a US$ 250 mil. Sua reeleição, desde já, se veria ameaçada.

Obama continuaria no mesmo purgatório em que vive desde janeiro de 2011, quando um time de políticos alinhados ao Tea Party, a facção da direita radical republicana, tomou posse na Câmara. Desde então, o presidente não conseguiu aprovar seus projetos mais caros, como os pacotes de estímulo à economia, nem chegou a enviar sua reforma da Lei de Imigração, por entendê-la como natimorta. A impossibilidade de diálogo entre a Casa Branca e a Câmara quase levou o país à insolvência, em agosto de 2011, e resultou na redução da avaliação de risco de crédito dos EUA.

Segundo Henry Olsen, diretor do conservador American Enterprise Institute, Obama poderá se valer de decretos para driblar a oposição na Câmara, como fez recentemente para aprovar o projeto que permite a regularização de filhos de imigrantes ilegais. Mas ele não poderá adotar decisões relativas ao orçamento e ao ajuste nas contas públicas por decreto.

Romney, para Olsen, não terá apenas o desafio de lidar com o Senado democrata. Também terá de decidir se mantém seu novo discurso mais conservador, ao gosto dos líderes do Tea Party, ou se retoma a postura moderada impressa em seu período como governador de Massachusetts.

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