Futuro secretário de Defesa dos EUA critica guerra do Iraque

O ex-diretor da CIA Robert Gates, nomeado secretário de Defesa dos EUA, criticou a administração da guerra do Iraque, e disse que irá melhorar o plano do pós-guerra se for confirmado no cargo. Gates também mostrou apoio à idéia de engajar a Síria e o Irã na estabilização do Iraque, cada vez mais violento, uma opinião da qual o presidente George W. Bush não partilha. O ex-direotr da CIA fez os comentários em resposta um questionário do Comitê do Senado de serviços Armados, que deve realizar uma audiência de confirmação de Gates como secretário de Defesa na próxima semana. "O planejamento da guerra deve ser feita com o entendimento que uma fase de operações, pós-combate principal, pode ser crucial", disse Gates em uma resposta por escrito de 65 páginas, submetida ao comitê na terça-feira. "Se confirmado, eu pretendo melhorar as capacidades do departamento nessa área", afirmou, em resposta a uma pergunta sobre o que ele teria feito diferente. "Com a vantagem de ver o que aconteceu, eu teria feito algumas coisas de outra forma." Aparentemente, Gates começou a criticar subitamente a invasão do Iraque. "Acredito que o uso de força preventiva deve ser baseado em evidências muito fortes", disse ao ser questionado sobre a inteligência incorreta de que o ex-ditador Saddam Hussein teria armas de destruição em massa. "Essa é uma decisão que não pode ser tomada levemente", acrescentou. Ele disse ainda que "duras perguntas" devem ser feitas a respeito da inteligência. Questionado se os EUA devem engajar o Irã e a Síria para a estabilização do Iraque, Gates apoiou a idéia, mas disse que as conversas devem ser diretas. Uma comissão bipartidária liderada pelo ex-secretário de Estado James A. Baker III e pelo ex-deputado Lee H. Hamilton deve pedir por conversas com a Síria e o Irã, como parte de suas recomendações para uma solução para o Iraque. "Mesmo nos piores dias da Guerra Fria, os EUA mantiveram um diálogo com a União Soviética e com a China, e creio que esses canais de comunicação auxiliaram a administrar muitas situações difíceis em potencial", disse o nomeado, sobre as propostas de conversa com o Irã.

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