Futuros líderes do Japão formam governo de coalizão

O Partido Democrático do Japão (PDJ) concordou hoje em formar uma coalizão com dois partidos menores no próximo governo. Uma das siglas deseja remover a base norte-americana de Okinawa e reavaliar a presença de 50 mil soldados dos Estados Unidos no país. O PDJ obteve uma grande vitória nas recentes eleições para a Câmara dos Deputados. Porém buscava ainda garantir a aprovação com tranquilidade de seus projetos na Câmara Alta. O acordo de coalizão abre caminho para o chefe do PDJ, Yukio Hatoyama, formar seu gabinete.

AE-AP, Agencia Estado

09 de setembro de 2009 | 14h18

O Parlamento deve eleger formalmente Hatoyama como primeiro-ministro no dia 16. Na coalizão estará o Partido Social-Democrático e o Novo Partido do Povo. O Partido Liberal Democrático (PDL) deixará o poder, após um domínio quase ininterrupto de mais de cinco décadas. O novo governo pode criar tensões com outros países. O PDJ prega uma postura mais independente do Japão em relação aos EUA e uma aproximação maior com vizinhos da Ásia.

Um primeiro teste pode ser a base aérea na ilha de Okinawa, no sul japonês, onde vivem 18 mil soldados norte-americanos. Anos atrás, o PDL e Washington concordaram em transferir a base da populosa cidade de Futenma para outro ponto da ilha. O plano também incluía a transferência de 8 mil marines de Okinawa para o território norte-americano no Pacífico de Guam até 2014. O restante dos militares permaneceria ali.

Washington afirma que o acordo não pode ser renegociado, mas ainda na oposição o PDJ criticou o plano, também por incluir custos de US$ 6 bilhões para o Japão pela transferência dos militares. Desde a vitória, porém, a sigla parece ter reduzido o tom das críticas e parece mais disposta a trabalhar com os EUA para cumprir o pacto. O Novo Partido do Povo, menor e mais conservador na coalizão, preocupa-se mais com temas domésticos que com internacionais. Já os Social-Democratas querem a base transferida para fora do Japão. Takehiko Yamamoto, um professor de relações internacionais da Universidade Waseda, de Tóquio, disse que o tema pode ser um "fator desestabilizador" na coalizão.

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