Futuros membros endossam posição comum da UE

Futuros membros da União Européia endossaram uma declaração aprovada, depois de discussões complicadas, pelos líderes da UE, advertindo Saddam Hussein que ele tem uma última chance para se desarmar pacificamente e que a força deve ser utilizada apenas como último recurso, numa sugestão de unidade, apesar de visíveis sinais de um novo racha continental.O endosso ignorou os danos provocados pelas críticas pesadas feitas pelo presidente francês, Jacques Chirac, a nações do Leste Europeu que têm apoiado a posição linha dura de Washington, em relação ao Iraque."Vamos esquecer o passado, e olhar para o futuro", pediu o primeiro-ministro grego, Costas Simitis, tentando conter o impacto das declarações de Chirac, enquanto anunciava o endosso."O acordo mostra um sentimento de unidade que é muito maior do que as diferenças", avaliou Simitis, cujo país ocupa a presidência rotativa da UE.Os futuros 13 membros endossaram a declaração de segunda-feira dos líderes europeus, avisando Saddam que ele tem uma "última chance" para se desarmar. A declaração não impôs prazos e afirma que os inspetores de armas da ONU devem ter mais tempo para concluir seus trabalhos.O documento visa pôr fim a uma áspera disputa dentro da União Européia sobre o Iraque.Entretanto, o ataque verbal de Chirac na noite de segunda-feira, contra nações do Leste Europeu, que assinaram, no mês passado, uma carta apoiando a posição dos EUA em relação ao Iraque, criou um novo abismo na Europa, entre os campos pró-americano e o decididamente europeu."Na verdade não é um comportamento responsável", disse Chirac a repórteres na segunda-feira, logo depois de a UE ter divulgado sua declaração sobre o Iraque. "Não é um comportamento adulto. Eles perderam a oportunidade de ficar calados".Ele advertiu aos candidatos que sua posição poderia ser "perigosa" porque os parlamentos dos 15 países da UE ainda têm de ratificar a decisão de dezembro último, de permitir a entrada de 10 novos membros no bloco em 1º de maio de 2004. Ele nomeou a Romênia e Bulgária, que pretendem entrar no bloco em 2007.A Grã-Bretanha, o mais determinado aliado dos EUA, e a Alemanha, que com a França tem tentado conter uma ação militar contra o Iraque, criticaram a tentativa de silenciar as nações do Leste Europeu."Eles têm tanto direito de falar quanto a Grã-Bretanha e a França ou qualquer outro membro da União Européia", disse Blair em Londres. "Eles sabem quanto vale manter unidos a Europa e os Estados Unidos".Numa atitude incomum, Blair também enviou uma carta aos países candidatos relatando sua visão sobre a declaração da cúpula - um papel que normalmente cabe à presidência da UE. O escritório de Blair em Londres confirmou a existência da carta, mas disse não ter planos de torná-la pública.Líderes do Leste Europeu reagiram com firmeza à tirada de Chirac, que para alguns fez lembrar a maneira intimidadora como a antiga União Soviética tratava seus satélites."Jacques Chirac deveria lamentar tais expressões, que não estão no espírito das relações amistosas e democráticas", considerou o presidente romeno, Ion Iliescu."A posição francesa demonstra certa ansiedade", interpretou o vice-chanceler da Bulgária, Lyubomir Ivanov.Ao mesmo tempo, um documento conjunto emitido pelos futuros membros e a UE destacou a determinação de se "evitar novas divisões" ao se concentrar no campo comum alcançado durante a cúpula de emergência.O primeiro-ministro búlgaro saudou o endosso como "uma positiva mostra de unidade para a união"."O documento com o qual os 13 concordaram é prova de que este encontro... teve um efeito positivo", considerou o primeiro-ministro búlgaro, Simeon Saxcoburggotski, o antigo rei do país.O presidente francês ficou irritado quando líderes da Polônia, Hungria e República Checa, três candidatos à UE, assinaram com a Grã-Bretanha, Espanha e Itália uma carta, no mês passado, apoiando a posição belicista de Washington.Posteriormente, 10 antigos países comunistas, sete dos quais são candidatos à UE, reiteraram seu apoio à administração Bush na questão.As duas declarações expuseram uma profunda divisão na Europa em relação ao Iraque, um dos motivos que levaram a Grécia a convocar a cúpula de emergência.O premier húngaro, Peter Medgyessy, defendeu a assinatura da carta."Acho que a carta era a coisa certa a se fazer, e não foi um erro", considerou. "Para ser franco, consideramos que a atual política externa européia é deficiente".A declaração da UE foi endossada pelos representantes da República Checa, Chipre, Hungria, Eslovênia, Eslováquia, Bulgária, Romênia, Turquia, Polônia, Lituânia, Estônia, Letônia e Malta.

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