Baba Ahmed/AP
Baba Ahmed/AP

Fuzilamento público expõe onda de violência no Mali

Assassinato ocorreu no norte do país, dominado por grupos rebeldes islâmicos.

BBC Brasil, BBC

03 de outubro de 2012 | 09h09

TIMBUKTU - Rebeldes islâmicos no norte do Mali mataram um homem em um fuzilamento público diante de mais de cem pessoas na segunda maior cidade do país, Timbuktu, trazendo à tona a onda de violência que vem atingindo o país do leste da África.

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O assassinato ocorreu na região em que os grupos rebeldes islâmicos e Tuaregs se fortaleceram após um golpe na capital, Bamako. Desde o golpe, que depôs o presidente eleito democraticamente, rebeldes vêm lutando pelo controle do Mali e já se estabeleceram na região norte do país.

O extermínio publico é visto como uma das mais recentes demonstrações desses grupos islâmicos em seu objetivo de implementar a lei do islã, a Sharia, de acordo com uma interpretação rígida.

Como parte da investida, os militantes vêm lutando pelo domínio do país e promovendo torturas, assassinatos e mutilações, fazendo com que boa parte da própria população muçulmana se oponha à implementação desse viés violento da lei islâmica. Uma testemunha disse a jornalistas que o morto no fuzilamento recente era um membro do grupo rebelde dos Tuaregs, o MNLA.

O MNLA é um ex-aliado de grupos islâmicos que tomaram o controle do norte do país - mas esses militantes agora se voltaram contra o grupo que não se associa à religião.

Pena de morte

"Ele se entregou, foi julgado, condenado à morte e executado nesta noite. Ele foi morto do mesmo jeito que matou sua vítima. Isso é o que diz a Sharia", disse Sanda Ould Boumana, um porta-voz do grupo rebelde Ansar Dine, que controla Timbuktu, à agência de notícias Reuters.

Nos últimos meses, os militantes islâmicos apedrejaram até a morte um casal acusado de adultério, e promoveram uma série de amputações.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas deve ter reuniões "preliminares" nesta quinta-feira sobre o pedido do Mali por uma intervenção militar da ONU no norte do país. "Parece haver uma razoável compreensão de que a situação no Mali não pode continuar dessa forma, algo precisa ser feito", acrescenta.

Para o embaixador da Guatemala na ONU, Gert Rosenthal, a situação ainda permanece confusa. "O que ainda não foi esclarecido é quem faz o que, qual é a escala dessa operação, como vai ser, e quais são as implicações para o orçamento", disse.

Os Estados Unidos sinalizaram que apoiariam uma força liderada por um africano, desde que conte com a aprovação de Argélia, Níger, Burkina Fasso, Costa do Marfim, Guiné-Bissau, Senegal e Mauritânia, países que fazem fronteira com o Mali.

Crianças

Segundo uma denúncia recente do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), esses mesmos grupos armados, que atuam principalmente no norte do Mali, estão intensificando o recrutamento de crianças para lutar em suas fileiras.

No mês passado, o Unicef afirmou que cerca de 200 meninos com idades entre 12 e 18 anos estão participando de atividades das milícias, mas que o número estaria aumentando. Um porta-voz do grupo islâmico Ansar Eddine disse à BBC que os meninos são recrutados para a organização a partir de 15 anos de idade.

Segundo o Unicef, crianças com menos de 15 anos são usadas como faxineiras ou porteiras, mas podem usar armas quando a tensão aumenta. O recrutamento de crianças para atuação em organizações militares é considerado crime de guerra.

Em agosto, o Mali anunciou a formação de um governo de união cinco meses após o presidente eleito democraticamente ter sido deposto em um golpe militar. O novo governo tem 31 ministros, cinco deles considerados próximos ao líder do golpe de março, capitão Amadou Sanogo.

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