Fuzileiro classifica mortes de Haditha como apropriadas

Um sargento que examinou as casas em que mais de 20 iraquianos foram mortos por fuzileiros navais americanos no vilarejo de Haditha, no ano passado, disse que o tiroteio parece ter sido uma resposta apropriada a um ataque perpetrado por insurgentes. A informação está na transcrição de um juramento obtido pelo jornal americano The Washington Post, e foi divulgada no site da publicação nesta quinta-feira.Membro do time de inteligência dos fuzileiros, o sargento J.M. Laughner passou de casa em casa em Haditha no dia 19 de novembro de 2005 e disse ter encontrado duas dezenas de corpos mortos, incluindo crianças e mulheres. A equipe de Laughner procurava por insurgentes especializados na fabricação de bombas no dia do incidente.Mas, segundo a transcrição do depoimento de Laughner obtida pelo Post, o militar teria dito que a cena das mortes parecia estar em acordo com as versões relatadas pelos fuzileiros que atiraram contra os civis. Ou seja, de acordo com ele, nada parecia fora do normal. As declarações de Laughner dão conta de que os fuzileiros acreditavam estar seguindo as regras de engajamento da unidade quando abriram fogo contra grupos de pessoas dentro de ao menos três casas depois que uma bomba de estrada matou um dos membros do grupo.Vários fuzileiros estão sendo investigados pelas mortes, mas até agora nenhum foi acusado.Embora seja apenas um ponto de vista, argumenta o Post, as declarações de Laughner são uma evidência de que os fuzileiros viram as mortes dos civis como "acidentais".Em um depoimento de 34 minutos, Laughner disse ter tirado fotos de cada um dos corpos, enquanto os fuzileiros descreviam o que aconteceu e cada circunstância. Segundo eles, os soldados teriam dito que escutaram pessoas "armando rifles AK-47" e se preparando para atirar.Os fuzileiros "limparam" as casas usando granadas de fragmentação e fuzis. Ainda segundo Laughner, 30 passaportes jordanianos e uma grande quantidade de dinheiro foram encontrados em uma casa próxima ao local do tiroteio.No depoimento, um dos investigadores pergunta a Laughner se não havia sinais em relação ao número de vítimas civis que desse razão para eles pararem. "Toda vez que você vê mulheres e crianças, senhor, eu penso isso", respondeu o sargento. "Mas pelo que os fuzileiros me contaram e pelo que entendi dos relatos deles, eu não poderia dizer que não teria feito o mesmo naquela situação. Se eu ouvisse alguém armando rifles AK, e não soubesse quantos caras estavam ali, eu também protegeria os meus amigos."

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