Fuzileiros navais entregarão Kandahar ao Exército

Os fuzileiros navais da Marinha dos Estados Unidos começaram a recuar hoje das trincheiras em torno da base de Kandahar, onde eles viveram durante algumas semanas, para entregar seu controle a oficiais do Exército que passarão a operar na maior base norte-americana no Afeganistão. A 101ª Divisão Aérea do Exército dos Estados Unidos deverá tomar o controle formal da base amanhã. Cerca de 800 de seus soldados já estão no local e mais militares chegavam hoje em aviões. A entrega da base libera os fuzileiros navais, que chegaram ao Afeganistão no fim de novembro, para as operações de ataques rápidos para as quais foram treinados. Enquanto isso, uma equipe da Cruz Vermelha Internacional chegava hoje à base naval norte-americana de Guantánamo, em Cuba para avaliar se os militares norte-americanos estariam violando os direitos dos mais de 100 prisioneiros levados do Afeganistão. A visita deve ter duração de uma semana e os prisioneiros decidirão se querem ou não manter reuniões com os funcionários da Cruz Vermelha, disse Darcy Christen, porta-voz do grupo responsável por averiguar o respeito às normas estabelecidas pela Convenção de Genebra. Em Islamabad, o presidente do Paquistão, general Pervez Musharraf, disse em entrevista à CNN que o milionário saudita Osama bin Laden pode ter morrido em conseqüência de uma crise renal por não ter recebido tratamento médico adequado. "Francamente, eu creio que Bin Laden esteja morto, pois ele tem uma doença, uma doença renal", comentou Musharraf em entrevista publicada na página da CNN na Internet. "Nós sabemos que ele doou duas máquinas de hemodiálise para o Afeganistão. Uma delas servia especificamente para uso pessoal", garantiu. Bin Laden, que vem sendo caçado freneticamente pelas forças norte-americanas no Afeganistão, fez sua última aparição pública no dia 26 de dezembro, numa fita de vídeo gravada aparentemente no começo daquele mês e divulgada pela emissora de TV do Catar Al-Jazeera. Ao mesmo tempo em que elogiava os terroristas que perpetraram os ataques de 11 de setembro contra os Estados Unidos - dos quais ele é acusado de ser o principal mentor -, Bin Laden mostrava sinais de que poderia estar gravemente doente. Estava pálido, sua voz estava ligeiramente rouca e não mexia um dos braços. "Não acho que ele tivesse condições de receber o tratamento que precisava no Afeganistão", disse Musharraf. "E as imagens que vimos dele pela televisão mostram um homem muito doente." Não é a primeira vez que o presidente paquistanês declara acreditar que Bin Laden esteja morto. No mês passado, durante uma viagem à China, ele afirmara que havia "uma grande possibilidade" de que o líder da Al-Qaeda tivesse morrido. Essa hipótese não estava descartada pelo Pentágono antes da aparição de Bin Laden no dia 26. Muitos especialistas militares norte-americanos duvidavam que ele pudesse ter sobrevivido aos ataques dos EUA contra o complexo de cavernas de Tora Bora - onde Bin Laden estaria escondido - no qual foi utilizada a maior bomba do arsenal norte-americano, conhecida como "corta-margaridas". Outro relato de que o homem mais procurado pelos militares dos Estados Unidos estaria morto surgiu na quarta-feira, quando o jornalista egípcio Essam Darez, amigo de Bin Laden, disse ter certeza de que ele morreu nos bombardeios sobre Tora Bora. "Não podemos afirmar ainda que Bin Laden esteja morto", disse o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer. "Mas, se isso for confirmado, o presidente (George W. Bush) certamente não ficará descontente com a notícia." Em Boston, Richard Reid, o homem acusado de tentar derrubar um avião da American Airlines detonando explosivos que levava nos sapatos declarou-se inocente das nove acusações de terrorismo formuladas ante um tribunal federal. Reid, acusado de pertencer à organização Al-Qaeda, liderada por Bin Laden, foi preso no último dia 22, quando tentava pôr fogo no cadarço do calçado durante um vôo que partiu de Paris para Miami. Leia o especial

Agencia Estado,

18 Janeiro 2002 | 19h33

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.