Fuzileiros navais procuram Bin Laden no Paquistão

As buscas aoterrorista saudita Osama bin Laden, cujo espectro reapareceu emum vídeo divulgado na quinta-feira, estendeu-se nesta sexta-feira, noPaquistão, segundo indicavam os rumores que circulavam há algunsdias e se confirmaram nesta sexta-feira. Após a pista indicada primeiramente pelo novo governoafegão, cerca de 30 fuzileiros navais entraram em ação, chegandohoje à base militar paquistanesa de Dera Ismail Khan a bordo dedois helicópteros de combate e de um avião com a divisa dos EUA,segundo relataram à ANSA várias testemunhas. Trata-se de uma operação de comando lançado com apoiodos soldados de Islamabad em um distrito ao sul da região dePeshawar, na chamada Província da Fronteira Noroeste - uma rotade fuga natural das montanhas afegãs e das próprias grutas deTora Bora. Fazendo eco ao que na quinta-feira já havia antecipadoseu porta-voz, foi o novo ministro de Defesa afegão, MohammadFahim - herdeiro do Leão de Panshir, Ahmad Shah Massud (morto ematentado em setembro) - quem deu a explicação mais plausível. "Há uma grande possibilidade de que Bin Laden esteja nazona de Peshawar - disse Fahim -, sem dúvida não está mais sobnossos controle, os EUA poderão buscá-lo com ajuda do governopaquistanês". Em Islamabad, após o ceticismo dos últimos dias, oministro de Relações Exteriores Abdul Sattar admitiu esta noite(hora local) que não pode excluir por completo esta hipótese. Uma fonte interna da direção regional em Peshawar dosserviços secretos paquistaneses afirmou, por outro lado, queconsidera pouco provável a presença do "príncipe saudita doterror" na região, limitando-se no entanto a argumentos lógicosmais do que a elementos concretos. Mais além das palavras, resta o fato de que o EstadoMaior paquistanês colocou à disposição das forças especiaisamericanas - que parecem ter afrouxado a pressão sobre Tora Borapara promover sua busca em outra parte - uma base estratégica esua colaboração operacional. As testemunhas oculares afirmam que os marines, depoisde terem permanecido por algumas horas em Dera Ismail Khan,dividiram-se em dois grupos: o primeiro teria se dirigido paraMirandash, no Waziristão do norte; o outro para Wana, noWaziristão do sul. Trata-se de territórios que formam parte das áreastribais paquistanesas: zonas inóspitas, onde nas últims semanasas forças paquistaness prenderam 150 homens da Al-Qaeda queescaparam do Afeganistão, mas também onde se indicou a presençade pelo menos outros 500 milicianos, apesar das recompensasoferecidas por Washington a quem os capturar. Algumas das tribos locais simpatizam com osfundamentalistas, enquanto justamente no Waziristão tem seuquartel-general o Jamat-Ulema-i-Islam, movimento islâmicoradical pró-Taleban cujo líder, o agitador maulana (honorável)Fazalur Rehman, é considerado pelos serviços secretos afegãoscomo o mais provável protetor paquistanês de Bin Laden. "Bin Laden é um homem em fuga, não sabemos em que lugarele se esconde, mas é apenas uma questão de tempo e oencontraremos", disse no Texas o presidente George W. Bush, quepor outro lado elogiou e espírito de colaboração do presidentepaquistanês, Pervez Musharraf. Enquanto isso, Peshawar, com seus 2 milhões dehabitantes, se pergunta se Bin Laden realmente chegou até aqui.Nesta típica cidade da fronteira oriental, a vida parececontinuar como sempre. As ruas, caóticas e sujas, fazem eco às buzinas dosmotoristas dos inumeráveis "rickshaws" (pequenas motostransformadas em minitáxis) e dos velhos ônibus Bedford,decorados e coloridos segundo a tradição local. Só em dois ou três bairros se notaram nas últimas horasalguns postos de bloqueio a mais, em uma cidade habitualmentevigiada por policiais e militares. De Bin Ladem alguns falam entre os becos do Saddar Bazar onde de qualquer modo as poucas camisetas expostas com a imagemdo "chefe" ficam sem vender nas bancas, sobretudo após apartida dos jornalistas ocidentais. Entre os numerosos comerciantes afegãos do bazar, quasetodos satisfeitos com a queda dos talebans e a subida ao poderde um homem do ex-rei como Hamid Karzai, distingue-se um homemde barba vermelha que diz chamar-se Mohammad Ehsan, é instruídoe fala bem o inglês. "Sou estudante de medicina, mas interrompi meus estudoshá alguns meses. Cheguei há pouco do Afeganistão", explica. Ele, no entanto, recusa-se a dizer o que fez nestesúltimos meses, nem de que região procede. Quando interrogado, selimita a responder que os atuais governantes afegãos não são deseu agrado, porque são apenas "fantoches dos EUA", enquanto ostalebans ao menos "defendiam o interesse nacional e os valoresdo Islã". Sem dúvida, se Bin Laden estivesse na região, nãoencontraria em Mohammad Ehsan e na gente que pensa como elenenhum inimigo.

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