G-20 vê recuperação da economia global aquém da esperada

Ministro Barbosa disse que o Brasil já adota as medidas de estímulo em linha com as acordadas no encontro de Xangai

FERNANDO NAKAGAWA, ENVIADO ESPECIAL / XANGAI

27 de fevereiro de 2016 | 18h41

O grupo das 20 maiores economias do mundo reconhece que a saída da crise financeira está aquém do esperado e os riscos aumentaram nos últimos meses. Com a análise de que a recente volatilidade dos mercados não condiz com os fundamentos da economia global, o grupo prometeu usar “todas as ferramentas” de política monetária, fiscal e estrutural para retomar o crescimento. O ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, disse acreditar que o Brasil já adota medidas alinhadas com recomendações firmadas na China. 

“A recuperação global continua, mas segue desigual e aquém da nossa ambição”, resume o comunicado de seis páginas divulgado ontem. Para piorar, o G-20 reconhece que o horizonte apresenta número crescente de ameaças. “Riscos e vulnerabilidades têm crescido em meio ao fluxo de capitais volátil, grande queda do preço das commodities, escalada da tensão geopolítica, choque de uma potencial saída do Reino Unido da União Europeia e um grande e crescente número de refugiados”. 

Efeito nas bolsas. O aumento das incertezas já atingiu o mercado financeiro e o G-20 demonstrou preocupação com o sobe e desce dos preços. “Julgamos que a magnitude da recente volatilidade do mercado não reflete os fundamentos da economia global”, cita o comunicado, que alerta ainda que o atual cenário eleva a chance de piora das previsões para a economia global.

Diante desse quadro em deterioração, os países do G-20 se comprometeram a usar “todas as ferramentas” de política monetária, fiscal e estrutural “individual e coletivamente” para conseguir crescimento econômico mais forte com investimento e estabilidade. 

Nessa estratégia com três frentes, o grupo promete uma política monetária que “continue a apoiar a atividade econômica e garanta a estabilidade de preço”. Governos também ajudarão com “políticas fiscais flexíveis para fortalecer o crescimento, a criação de empregos e a confiança”. Essa medida, no entanto, só será usada quando houver “garantia que a dívida pública seguirá em um passo sustentável”. Ao mesmo tempo, o grupo promete continuar com as reformas estruturais. 

Reação do Brasil. Após o encontro, o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, disse que o Brasil já tem adotado receita semelhante à aprovada em Xangai. “Os temas estão alinhados com a estratégia do governo. O G-20 sugere mecanismo de acomodação fiscal aos que têm espaço e, mesmo assim, apoia o ajuste com maior controle da despesa e novas fontes de receitas”, disse.

Após reuniões em Xangai e Pequim, Barbosa reconheceu que o “cenário internacional ainda inspira cuidados e preocupações”. Apesar disso, o ministro demonstrou confiança porque “há mecanismos para reduzir a volatilidade e garantir recuperação do crescimento nas principais economias do mundo”.

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