EFE/ Jon Rowley
EFE/ Jon Rowley

G-7 lança plano de desenvolvimento para países pobres e emergentes para conter China

Ideia é oferecer empréstimos às nações em desenvolvimento em um desafio direto à iniciativa ‘Nova Rota da Seda’ de Pequim

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2021 | 21h48

CARBIS BAY, INGLATERRA - Os líderes do G-7 – Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido – lançaram neste sábado (12) um vasto plano de desenvolvimento para os países pobres e emergentes, por iniciativa do presidente americano, Joe Biden, para competir com as iniciativas chinesas da “Nova Rota da Seda”

Este projeto das grandes potências, denominado “Reconstruir um mundo melhor”, deve ajudar esses países a se recuperarem da pandemia, com foco no clima, na saúde, na tecnologia digital e no combate às desigualdades, informou a Casa Branca em comunicado.

Durante a reunião de cúpula, Biden exortou as nações europeias e o Japão a combater a crescente influência econômica e de segurança da China, oferecendo às nações em desenvolvimento centenas de bilhões em financiamento para a construção de novas estradas, ferrovias, portos e redes de comunicações.

Biden usou a reunião para apresentar seu argumento de que a luta fundamental na era pós-pandemia será entre democracias e autocracias.

Mas a Casa Branca não citou nenhum compromisso financeiro específico. Em tamanho e ambição, o esforço de desenvolvimento chinês supera em muito o Plano Marshall – o programa dos EUA para reconstruir a Europa após a 2.ª Guerra.

O líderes do G-7 usaram o encontro para mostrar ao mundo que as democracias mais ricas podem oferecer uma alternativa à crescente influência da China. O ressurgimento da China como potência global é considerado um dos eventos geopolíticos mais significativos dos últimos tempos, ao lado da queda da União Soviética, em 1991, que encerrou a Guerra Fria.

A China em 1979 tinha uma economia menor do que a da Itália, mas depois de se abrir ao investimento estrangeiro e introduzir reformas de mercado, tornou-se a segunda maior economia do mundo e é líder global em uma série de novas tecnologias.

Segundo um funcionário de alto escalão da Casa Branca, até agora o Ocidente falhou em oferecer uma alternativa positiva para a “falta de transparência, padrões ambientais e trabalhistas ruins e abordagem coercitiva” do governo chinês que deixou muitos países em situação pior.

Na reunião, as discussões sobre como combatê-la refletiram o debate no Ocidente sobre considerar a China como parceira, concorrente, adversária ou ameaça direta à segurança. Não está nada claro se as democracias ricas serão capazes de reunir uma resposta abrangente.

O plano descrito pela Casa Branca parecia unir projetos existentes nos EUA, Europa e Japão, juntamente com um incentivo ao financiamento privado. Segundo o comunicado distribuído à imprensa, o plano “Reconstruir um mundo melhor” enfatiza o meio ambiente, os esforços anticorrupção, o fluxo livre de informações e os termos de financiamento que permitiriam aos países em desenvolvimento evitar o endividamento excessivo. Uma das críticas à Nova Rota da Seda é que deixa as nações dependentes da China, dando a Pequim vantagem sobre elas.

Os líderes concordam amplamente que a China está usando sua estratégia de investimento para fortalecer suas empresas estatais e construir uma rede de portos comerciais e, por meio da Huawei, sistemas de comunicação sobre os quais exerceria controle significativo. Mas funcionários que acompanharam a reunião disseram que Alemanha, Itália e União Europeia estão claramente preocupadas em arriscar seus enormes acordos comerciais e de investimento com Pequim ou em acelerar o que cada vez mais parece uma nova Guerra Fria.

Pandemia.

Os líderes do G-7 abordaram neeste sábado a criação de um mecanismo de defesa global ante futuras pandemias que permita a detecção precoce de patógenos perigosos e o desenvolvimento acelerado de tratamentos e vacinas. As primeiras vacinas foram aprovadas somente 300 dias após o início da pandemia.

Os lideres dos países mais ricos também discutiram meios para acabar com a atual pandemia, assim como programas para assegurar que não se repita a devastação provocada pela covid-19, que infectou pelo menos 175 milhões de pessoas e matou 3,7 milhões. O conselheiro científico do governo britânico, Patrick Vallance, apresentou durante a reunião as conclusões de um grupo de especialistas sobre métodos de prevenir novas pandemias. / NYT, AFP e REUTERS

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