Facundo Arrizabalaga/Efe
Facundo Arrizabalaga/Efe

G-8 ajudará países da primavera árabe

Reunido na França, grupo das nações mais ricas e a Rússia promete crédito especial para estabilizar economias da Tunísia e do Egito, além de outros Estados que eventualmente se juntarem à onda de levantes do Norte da África e Oriente Médio

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2011 | 00h00

O G-8 lançou ontem, ao término de sua reunião de cúpula, na França, a Parceria de Deauville, um programa de apoio econômico de US$ 40 bilhões para ajudar Egito e Tunísia, países que passaram recentemente por revoluções democráticas. O objetivo da ajuda é estabilizar as economias e retomar o crescimento, mas indiretamente pretende também incentivar mais levantes na região.

O G-8 prometeu o envio de mais recursos oriundos de programas bilaterais e de instituições internacionais. Eles seriam oferecidos às nações árabes que fizerem a transição para a democracia. O lançamento do programa havia sido confirmado há dois dias, mas o anúncio dos recursos só foi feito ontem.

Reunidos em Deauville, os chefes de Estado e de governo de EUA, Canadá, Japão, Alemanha, França, Grã-Bretanha, Itália e Rússia anunciaram linhas de financiamento US$ 20 bilhões originários de instituições multilaterais, como o Banco Mundial, o Banco Africano de Desenvolvimento, o Banco Europeu de Investimento, o Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento e o Banco Islâmico de Desenvolvimento.

De acordo com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, US$ 10 bilhões viriam diretamente de países do G-8 e os US$ 10 bilhões restantes chegariam de países árabes do Golfo Pérsico, como Arábia Saudita, Catar e Kuwait. Esses recursos, porém, não apareceram na declaração final da cúpula.

Mais recursos. O montante ainda pode crescer, porque não envolve recursos do FMI. "Não incluímos o FMI porque consideramos mais honesto, já que o fundo se engaja de maneira independente e está pronto para conceder empréstimos ao Egito e à Tunísia", afirmou Sarkozy.

A iniciativa, que chegou a ser chamada nos meios diplomáticos de "Plano Marshall do mundo árabe" - a expressão não foi empregada em Deauville -, busca ressaltar o apoio do G-8 para os movimentos revolucionários, que são comparados com a queda do comunismo no Leste Europeu.

"As mudanças históricas atualmente em curso no Norte da África e no Oriente Médio podem abrir caminho para transformações comparáveis às ocorridas na Europa Central e Oriental após a queda do Muro de Berlim", diz a declaração final do G-8.

"Estamos prontos para abrir uma parceria global de longo prazo com todos os países da região que se lançarem a uma transição para a sociedade livre, democrática e tolerante, a começar pelo Egito e pela Tunísia", reitera o documento.

Democracia. Ao final da cúpula do G-8, persistiam algumas dúvidas sobre se os US$ 40 bilhões seriam inteiramente destinados aos dois países. Ao Estado, o ministro das Relações Exteriores da França, Alain Juppé, confirmou que o dinheiro será apenas para Tunísia e Egito no triênio 2011-2013.

"As nações mais poderosas do mundo chegaram a um acordo e estão dizendo ao Oriente Médio e ao Norte da África: estamos do seu lado", afirmou David Cameron, primeiro-ministro britânico.

Além da ajuda financeira, o G-8 definiu que a Rússia enviará um mediador para negociar uma saída diplomática para o impasse político na Líbia, desde que a solução inclua a renúncia do atual líder, Muamar Kadafi. "Eu ofereci nossa mediação aos parceiros do G-8", declarou o presidente russo, Dmitri Medvedev. "Todos acreditam que ela pode ser útil."

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