G-8 dá prioridade ao crescimento e à criação de emprego

Posição contrária à da Alemanha, que prega mais austeridade, prevaleceu depois da reunião de líderes, ontem, em Camp David

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

20 Maio 2012 | 03h01

O G-8 emitiu ontem forte mensagem em favor do urgente e obrigatório crescimento econômico, em contraste com a posição da Alemanha de observação de programas de austeridade fiscal em curto prazo.

Reunidos em Camp David, a casa de campo da Presidência americana, os líderes dos Estados Unidos, Grã-Bretanha, Alemanha, França, Japão, Itália, Canadá e Rússia concordaram ser essencial a preservação da união monetária europeia para a estabilidade e a recuperação da economia mundial e expressaram seu forte interesse na preservação da Grécia na zona do euro.

"Nosso imperativo é promover crescimento e empregos", é a primeira frase do comunicado divulgado ao final da reunião em Camp David. "Nós concordamos com a importância de uma zona do euro forte e coesa para a estabilidade e a recuperação mundial, e nós afirmamos nosso interesse na preservação da Grécia na zona do euro em respeito a seus compromissos. Nós apoiamos os líderes da zona do euro, a iniciativa de resolver as tensões na zona do euro a tempo e de forma a promover a estabilidade, a confiança e o crescimento."

Há sinais promissores de recuperação, diz o texto, mas ainda com "ventos contrários de proa". Um deles vem da redução do suprimento mundial de petróleo, com o início da vigência de novas sanções contra o Irã em 1.º de julho, que mereceu um comunicado do G-8. A receita para cada país não é a mesma, reconheceu o grupo, mas pode envolver mais investimentos oficiais, o cuidado para não sufocar a expansão do crédito, o apoio a pequenos e médios negócios e as parcerias público-privadas. A adoção das políticas de ajuste nas contas públicas deve "levar em conta a evolução econômica dos países e reforçar a confiança e a recuperação econômica".

Derrota alemã. O comunicado representou uma clara derrota da posição alemã. Na manhã de sexta-feira, os presidentes Barack Obama (EUA) e François Hollande (França) haviam se encontrado oficialmente na Casa Branca e feito declarações favoráveis a um alívio no ajuste fiscal na Europa, especialmente, e de maior empenho na adoção de medidas de estímulo ao crescimento. Hollande havia, dois dias antes, conversado com a chanceler alemã, Angela Merkel, em Berlim. Mas extraíra apenas alguns sinais da anfitriã.

Ao desembarcar em Camp David, Merkel já estava ciente de seu isolamento e de seu desafio de explicar o resultado da reunião do G-8 aos eleitores alemães. Na noite de sexta-feira, ao chegar a Camp David para o jantar de abertura da cúpula, Obama a recebeu com beijos no rosto. "Como tem passado?", perguntou ele. Merkel encolheu os ombros e nada respondeu. "Bem, você tem coisas na sua cabeça", disse Obama, para em seguida recomendar a Hollande tirar a gravata e acompanhar seu visual mais informal.

Hollande, entretanto, não foi feliz ao apresentar sua proposta de arrecadar 57 bilhões com a cobrança de um imposto sobre transações financeiras na Europa. Os recursos seriam destinados a adoção de medidas de estímulo econômico na região. "Não vou apoiar isso", afirmou o primeiro-ministro britânico, David Cameron, ao desembarcar para a reunião do G-8.

Irã e Síria. No jantar informal de sexta-feira, os líderes do G-8 discutiram a preservação da pressão sobre o Irã enquanto o P5+1 (EUA, Grã-Bretanha, França, China, Rússia e Alemanha) retoma as negociações com Teerã sobre o seu programa nuclear. As conversas começam no dia 23 em Bagdá.

Sobre a violência na Síria, parte do G-8 mostrou-se coesa em torno da adoção integral do plano de paz desenhado pelo enviado especial da Liga Árabe e das Nações Unidas, Kofi Annan. O plano previu o cessar fogo desde o dia 12 de abril, jamais cumprido. Mas não foi possível convencer a Rússia a alinhar-se aos EUA e seus aliados sobre Irã e Síria.

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